Publicado em Lectio Humana-Divina

A Palavra, “fertilizante” para a oração inconsequente

[Leitura] Is 55, 10-11; Mt 6, 7-15

[Meditação] É verdade!! Rezamos e trabalhamos muito em função de obter… algo. E o Reino é Jesus Cristo, o que Ele diz e faz. Por isso, a nossa oração é, muitas vezes, inconsequente, porque não tem correspondência com o Reino. Deveríamos rezar e trabalhar para nos parecermos com Ele. Para isso, teremos de despojar-nos como Ele fez de Si em relação à vontade do Pai.

Deveríamos ter muito cuidado com a oração pessoal (dita “oração espontânea”): ela é perigosa! Acaba por acontecer e,nesse momento, já não estamos de acordo com o que agradecemos ou pedimos; ou tem pouco a ver com a realidade e faz-nos parecer “gravadores-leitores” de fórmulas que nem mágicas são. Mais valerá lermos e repetirmos muitas vezes a Palavra e os seus fragmentos de luz, já que ela “realiza o que significa”. Seja uma forma de programarmos a vida, como se estivéssemos a instalar um programa de computador que queremos que seja eficiente na realização de uma determinada rotina. A oração do “Pai nosso” sugerida por Jesus aos discípulos que não sabiam rezar é suficiente; nela está tudo o que possamos dizer para louvar e suplicar. Esta oração simples e fecunda tem os “fertilizantes” necessários para fazer crescer em cada um de nós a essencial consciência de filhos de Deus e de irmãos, relações-vaso de todas as consequências que poderão ser decisivas para uma vida com sentido. A alavanca da eficiência parece ser o PERDÃO, uma vez que Jesus insiste nele, o “elo” que liga ao Pai e aos irmãos. Parece que este objetivo é o “terreno preparado” para o crescimento do que virão a ser os frutos…

Muito palavravreado é paganismo; oração inconsequente é egotismo. Tinha razão o autor que chamava Oração à Voz entre dois silêncios! Nunca deixemos de quebrar este silêncio com a Palavra “Pai…”!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu