Publicado em Lectio Humana-Divina

Vale mais um único pão justo…

[Leitura] Gen 6, 5-8 – 7, 1-5. 10; Mc 8, 14-21

[Meditação] Vale mais um único pão justo, do que muitos “fermentados” na “masseira da malícia”. É, porventura, este o resultado da reflexão entre a primeira leitura e o evangelho deste dia. Na barca de Jesus que é a Igreja, prefigurada pela arca de Noé, é suposto  comer-se do pão que seja “amassado” entre a oração de bênção e um trabalho digno.

Não admira o que parece ser um “arrependimento metódico” de Deus no que toca a ter criado o homem. Parece, com essa atitude, inclinar-Se sobre a humanidade decaída à procura de “restos” da bondade inicial. É o recolher do “fermento” da pureza inicial para a guardar na “arca” e para poder prosseguir a história do seu projeto de amor criador.Em Jesus, Ele continua a fazer isso em relação ao coração humano, prendendo-Se com o cuidado em purificá-lo de todo o mau “fermento” característico dos fariseus. Em Igreja, não deveríamos, por isso, de preocupar-nos com o muito (grandes grupos e assembleias, grandes atividades, grandes textos ou palavriados, grandes projetos e cortejos… enfim, continua tu a lista − pode-te ser útil na hora de limpar!), pois… pode ser que um só pão purificado (o tal que é “amassado” entre a oração e um trabalho justo) seja a salvação que muitos esperam deste “resto” que o Senhor leva na Sua barca para a outra margem.

Entretanto, não desanimemos se não virmos os milagres que o Senhor continua a fazer entre nós! Pode significar que ainda “não entendemos” o que na “masseira” do nosso coração é necessário: o ingrediente necessário do céu e o ingrediente necessário da terra, para que o alimento daí amassado se transforme em partilha que se multiplica.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

 

Autor:

Padre da Diocese de Viseu