Jesus inaugura a “Igreja Samaritana no Hospital de Campanha”

[Leitura] Lev 13, 1-2.44-46; 1Cor 10, 31–11, 1; Mc 1, 40-45

[Meditação] Já ouvimos o Papa Francisco a falar da Igreja como “samaritana” e da Igreja como “Hospital de Campanha” depois de uma “batalha”. Introduziu estas comparações para falar das características que a Igreja deve adotar para exercer melhor a sua missão no mundo de hoje, chamada a caminhar ao encontro das “perifierias existenciais”, acolhendo aqueles que vivem feridos por vários males e pecados, sem julgar, mas, compadecida, pronta a mediar a cura.

A lepra ainda não foi erradicada de vez, pois ainda há quem a sofra. No entanto, os leprosos e os que sofrem de males parecidos já não têm de carregar, para além do peso repugnante do contágio que segrega do relacionamento com os outros, com a culpabilidade moral associada a essa doença. Jesus, de uma vez por todas, rompeu com essa lei apoiada no argumento espiritual para facilitar a segregação, como se o perigo do contágio não bastasse. A Lei do Antigo Testamento usa o sacerdote para mediar a separação, no caso de doença; a novidade da compaixão de Jesus é capaz de mediar a reentrada na relação com a comunidade através da cura. Pergunto: quantas vezes o momento sacramental da Penitência ou Confissão serviu para segregar em vez de aproximar? (Para pensar… e não repetir…)

É uma boa questão, a da cura que acontece já antes da mediação da Lei. Jesus não deixa de pedir que a pessoa saudável vá dar testemunho, permitindo-lhe acesso à pertença comunitária. No entanto, não faz depender a cura dessa imposição, mas unicamente da sua compadecida vontade: “Se quiseres… (e, imediatamente:) Quero!”Não há aqui interferências na mediação da cura: doente prostrado e suplicante → Jesus compadecido e decidido a curá-lo.

Deixo aqui um tributo aos finalistas enferemeiros do 24º Curso da Escola Superior de Saúde de Viseu (IPV) que hoje vão receber a bênção na Catedral de Viseu. Sob a inspiração do exemplo que foi Florence Nightingale, eles serão, na missão para a qual se prepararam, portadores desta novidade terapêutica que une os conhecimentos técnicos da saúde (para curar as “lepras físicas”) ao carácter humano e espiritual imprescindível na sua ação (para ajudar a curar a “lepra espiritual”).

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo