E os nomeados são… (And the nominees are…)

[Leitura] Gen 2, 18-25; Mc 7, 24-30

[Meditação] é como se Deus dissesse: «O homem seja criativo». E o homem começou a dar nomes… Fê-lo assim, dotado da capacidade para se autotranscender ou de se superar a si próprio para que se tornasse patente a semelhança que tem com o Criador. Em boas condições de altruísmo, o ser humano tem a capacidade, não só de fazer proezas, como de reconhecer o que os outros fazem de extraordinário. É o que faz com que não se sinta só, ou seja, com que se sinta reconhecido e seja, por sua vez, capaz de reconhecer o valor dos outros. Este reconhecimento torna-se mais profundo quando se trata da relação homem-mulher, chamados a dialogar em vista à superação de ambos, na fecundidade.

O atributo “auxiliar semelhante a ele” não inferioriza a mulher, mas põe-na ao mesmo nível. Prova-o a mulher siro-fenícia a quem Jesus provocou para o diálogo perseverante e fecundo, do qual resultou a cura da sua filha. Isto prova que quanto mais íntimo for o diálogo entre duas pessoas, mais fecundidade acontece para ambas e para terceiros (filhos, amigos, pobres, marginalizados, etc.). O estado de “nudez sem sentimento de vergonha” reflete esse estado inicial (que se perdeu) de ser capaz de não se distrair das coisas banais para se dar ênfase ao que é urgente: relacionar-se para se ser (física ou espiritualmente) fecundos.

Assim, todo o ser que tem um nome não passa, como Jesus na região de Tiro e Sidónia, despercebido. O seu reconhecimento é a “porta” para um encontro de sucesso. Como seria bom se gastássemos mais tempo a dar nomes reais e úteis ao que está escondido (sentimentos, emoções, atitudes, esforços, etc.). Certamente não existiriam a solidão e o temor estéril entre as pessoas que teimam em danificar o amor fecundo. Jesus, ao provocar aquela mulher, “deu nome” àquilo que estaria a limitar a sua fé, provocando-a a progredir nela. Por sua vez, a  mulher assume humildemente o seu posto de criatura ao afirmar a dignidade do que está “debaixo da mesa”ou do que é “auxiliar”, sem se sentir inferiorizada.

Senhor, dá-nos a persistência crente e a humildade perseverante da mulher síro-fenícia!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo