Publicado em Lectio Humana-Divina

Tradições humanas “passadas a pente-fino” pela definitiva Palavra de Deus

[Leitura] Gen 1, 20 – 2, 4a; Mc 7, 1-13

[Meditação] O relato da criação continua a mostrar-nos o Criador a fazer o que diz, até chegar à criação do Homem à sua imagem e semelhança, a permear os outros animais, entre a sua existência e a possibilidade de os dominar. A Palavra de Deus é perfeita: realiza o que diz. Isto torna-se mais evidente em Jesus Cristo, Verbo do Pai, que vai à “praça pública” para recriar a vida dos que não têm saúde e de lá os encaminha para o raiar de cada nova manhã. De lá, voltam também os fariseus e os escribas, não com o intuito de libertar ou curar, mas de prender a tradições, como quem põe laca no cabelo para que ele pareça sempre bonito, mesmo que enguiçado.

Não são as tradições dos homens que são definitivas, mas a Palavra que a pode iluminar e transformar em favor da felicidade do Homem. Deus, ao fim de tudo criado, viu que tudo o que tinha feito era muito bom; o homem fez alguns estragos, impondo a sua vontade, nem sempre conforme à da vontade ciradora de Deus. E assim tem acontecido, sempre que as tradições se cristalizam em leis que já não são transperência do projeto divino e não permitem o acesso do Homem ao mesmo projeto. Tradições que não libertam, são sempre fruto do pecado do homem ou sistemas de uma tentetiva de auto-conservação do homem que se acha sem Deus.

“Passar a pente-fino” as nossas tradições é uma questão entre os lábios e o coração. Estes têm de estar em sintonia com a Palavra de Deus, para que possam atuar um “culto público” que é a cura recreadora dos que andam cansados e estão enfermos por qualquer razão. Deveria acontecer com as tradições que não servem a verdadeira felicidade o que acontece com os cabelos compridos: antes que seja preciso cortá-los, devem passar-se pelo “pente-fino” de uma ética, moral ou doutrina apoiada na Palavra de Deus; se não passa, devem cortar-se mesmo! E vale mais ser curto e limpo do que longo e sujo… Santa Escolástica, que quis desde muito cedo, entregar o seu coração a Deus, pediu a seu irmão (S. Bento) uma regra para que o mantivesse intacto e livre das palavras que enganam.

Deus Pai só volta a descansar quando a terra e o céu, mediados pela Igreja de seu Filho, voltarem a estar completos… no Seu Reino glorioso.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu