Publicado em Lectio Humana-Divina

De Sinai a Sião: dois a dois ao encontro da perfeição

[Leitura] Hebr 12, 18-19.21-24; Mc 6, 7-13

[Meditação] «Sinai», sinal de uma relação com Deus através da aproximação de sinais sensíveis; «Sião», sinal da relação com o Deus vivo sem interferências. Significarão, na Liturgia de hoje, sinal de um ponto de partida e um ponto de chegada, respetivamente. Para se fazer esse trajeto, muito influem, para o bem ou para o mal, para o progresso ou para a regressão, os objetivos a curto prazo, as mediações, os recursos e, até, os companheiros de viagem.

Jesus foi claro com os Apóstolos: dois a dois (sinal de comunhão imperfeita a construir-se), uma única túnica (para não se deixarem influenciar por modas), bastão (para referenciar ao pastor e afugentar os espíritos impuros) e sandálias (para proteger os pés e obrigar ao caminho), uma só guarida (para não fazerem turismo religioso), não trazer o pó nos pés (para não se deixarem sujar com ideologias resistentes). Será que este método, com as devidas adaptações ao nosso tempo e cultura, poderia servir de grelha de avaliação dos nossos métodos de missão? Ou, a quem o fizesse, iríamos ridicularizar?

Pois, de Sinai a Sião é, porventura, preciso libertarmo-nos de guarda-roupas cheios de “pó”, grupos imensos de diversão sem objetivo, “gadgets” que tiram o sono e não ajudam a fabricar uma relação curativa como só na relação interpessoal se pode alcançar. Não é fácil, para quem vive numa cultura semeada e controlada pelo capitalismo, deixar de conviver com muitos seres inanimados (física e espiritualmente). Mas é impresindível, para quem quiser ver Deus em Sião.

Santa Águeda fez a sua escolha e não deixou que, malgrado a mutilação que teve de padecer, decidissem por si o horizonte pelo quel quis defender a sua virgindade: o Esposo Jesus Cristo. Hoje em dia, ridiculariza-se muito quem ainda decide conservar-se virgem. Proliferam, hoje mais que nunca, os “algozes” do império dos sentidos, castradores de um sentido mais alto para viver. Faz sentido viver a radicalidade do Evangelho? Sim! Nele estão as chaves da perfeição. Caminhando com Jesus Cristo e aqueles que Ele nos oferece como mediação.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu