Publicado em Lectio Humana-Divina

Arranja um “canteiro” para a Palavra

[Leitura] Hb 10, 11-18; Mc 4, 1-20

[Meditação] O que diferenciará a repetição de sacrifícios dos sacerdotes da antiga aliança da repetição de palavras e de gestos dos cristãos nascidos da nova aliança?

S. Tomás de Aquino ajuda-nos a responder a esta questão com o exemplo da sua vida dedicada ao estudo das ciências sagradas. Ele foi descobrindo, certamente, no decorrer da obra intitulada “Suma Teológica”, que não escreveu num só dia, que era a luz de Deus que o acompanhava e ele não fazia mais do que passá-la para o papel destilando a Palavra através do “crivo” da razão humana, apoiada com a oração.

A diferença do valor da repetição, diferente entre os sacrifícios da antiga aliança e os ritos da nova aliança é que, nestes últimos, Ele está inteiramente presente e nos chama a estar, também, inteiramente presentes, para que se favoreça um verdadeiro encontro. O poder e a ação são d’Ele, enquanto que nos sacrifícios ineficazes há mais daquele que os faz, muitas vezes só preso ao “dever-fazer” do que o Amor d’Aquele que tudo pode transformar num só gesto.

Na vigília da JMJ, em Rio de Jneiro (2013), o Papa Francisco disse aos jovens:

Hoje, contudo, tenho a certeza de que a semente pode cair em boa terra. Escutámos estes testemunhos, como a semente caiu em boa terra! Não, padre, eu não sou boa terra, sou uma calamidade, estou cheio de pedras, de espinhos, de tudo… Sim, pode ser aqui em cima, mas… Reserva um pedacito, faz um cachito de boa terra e deixa que caia ali. E vais ver como germina!

Isso, vamos no meio de tantos fragmentos e vissicitudes, encontrar com sinceridade um pedacito de terreno, preparando-o para que Jesus possa semear a sua Palavra. Ele nunca mais parou, com o auxílio dos apóstolos de todos os tempos, de semear. O pequeno “canteiro” pode ser o de um problema interior, em que és sincero/a com o Mestre; pode ser um pouco de tempo de paragem no teu dia, entre trabalhos; pode ser um desejo que há muito aguardas que se realize; pode ser uma investigação que tentas processar com o máximo de esforço; pode ser uma citação bíblica num momento de diálogo oportuno; pode ser o teu coração agrilhoado ou ferido por qualquer perda ou fraqueza… invoca o Espírito de Deus e deixa que Ele semeie e regue a Palavra que cura e reanima. Se colheres algum fruto, por mais pequenino que seja, partilha-o com alguém!

Autor:

Padre da Diocese de Viseu