Amor colaborante, mais do que cumprimento

[Leitura] Hb 10, 1-10; Mc 3, 31-35

[Meditação] Muitas vezes tratamos a questão da fé e da sua observância em termos legais, quase impessoais, como se Cristo ainda não tivesse vindo à terra e Moisés estivesse no monte Sinai. Pois… esse tempo já acabou. Vivemos um tempo novo, inaugurado por Cristo que disse: “formaste-Me um corpo… Eis-Me aqui… Eu venho para fazer a Tua vontade”.

O relato evangélico de hoje apresenta-nos dois grupos: Maria com os irmãos de Jesus e a multidão com Aquele que é procurado. Um grupo, porventura, de judeus, outro sem-deus; um que já carrega leis, outro sem-lei; um seguindo os passos de Maria, outro entusiasmado pelos gestos de Jesus. Ambos, são grupos carentes de pertencer, quiçá, a um terceiro-novo-grupo, o da Família definitiva de Deus, ainda em formação.

Mais do que propor o cumprimento da Palavra de Deus em termos legais, importa fazer perceber que todos já fomos transportados – os de ontem e os de hoje – para uma nova realidade abarcada por Jesus Cristo (física e temporal, global, portanto), pela qual o mesmo Cristo Se doou, abolindo o antigo culto, o dos sacrifício e das oblações sem sentido (meramente legais). Só a oblação do Corpo de Cristo faz sentido, eficaz, porque “feita de uma vez para sempre”.

Portanto, fazer parte da nova e definitiva Família de Deus, que tem em Maria e Jesus, o ponto-de-encontro eficaz, implica saber que podemos retomar sempre a possibilidade (pois, inaugurada por Cristo) de colaborar com o Seu amor-primeiro. A obra é levar a Sua Palavra à prática, no hoje da história, para que a todos (“judeus” e “gregos”) chegue a oportunidade daquele encontro que é “porta” para essa Família.

Enfim, trata-se de “colaborar” (como Maria), mais do que “cumprir” (como Moisés), para se fazer parte da Família de Deus. O que possibilita que TODOS possamos fazer parte.