Publicado em Integração Psico-Espiritual

Para que aconteça o Encontro: latitudes

Todos desejamos não-estar-sós; queremos, desde o profundo, encontrar-nos… com os outros, connosco próprios, com Deus. Mas… o que isso implica? Um Encontro será mera resposta a um desejo? Ou, antes, o “centro” de condicionantes, causas e consequências de diversas latitudes?

1. Condicionantes: a primeira seria a da liberdade. Podemos, de facto, não estar capazes de um Encontro, só pelo facto de estarmos muito influenciados pelo individualismo vigente; neste caso, o Encontro seria a terapia para esse individualismo, mas a que preço? Estaremos dispostos? E o destinatário estará disponível? Outra condicionante seria a dos fragmentos do tempo: um Encontro acontece muitas vezes num momento fugidio de graça; estaremos lá, nesse momento; e se o outro não aparecer à hora marcada? Outra condicionante seria a acomodação: esta permite estar com os pés “na mesma soleira” ou, então, a adequação à situação do interlocutor ou objeto do coração; sem ela, o Encontro seria sempre limitado… Esta é a latitude da concentração de fatores.

2. Dimensões: para que um Encontro aconteça, temos de estar conscientes e ativar as várias dimensões do nosso ser, como a psico-física (convém o próprio corpo estar presente, mesmo se limitado!), a psico-social (implica a envolvência da alteridade, mesmo que seja com um “alter-ego”) e a psico-racional/espiritual (exige diálogo que se deixe conduzir para a novidade). Esta é a latitude da psicodinâmica da relação inter-pessoal.

3. Consequências: niguém sai de um encontro igual, mas transformado com o que se aprendeu com o outro (ou consigo próprio, neste caso sempre mais limitado!). Um Encontro verdadeiro transporta-nos sempre para o “mais além”. Compromete: na lealdade, na permanência (mesmo que na distância), na ação em favor de, no testemunho ou partilha dos frutos desse acontecimento. Esta é a latitude teleológica.

Concluindo, não importa que não tenhamos muitos encontros, mas que experimentemos Encontros significativos. Podemos desenhar um gráfico que vai do encontro connosco próprios, passando pelo encontro com os humanos e chagando ao encontro com Deus. Quanto mais nos aproximamos d’Este ou O acolhemos, mais o Encontro é transfigurador. Cada nível é propodêutico para os outros. Um Encontro breve pode ser mais que um longo. Um mais custoso pode ser mais frutuoso que um encontro fácil.

Vamos encontrar-nos?! Vale sempre a pena, desde que pelo Bem!

Autor:

Padre da Diocese de Viseu