O Batismo e a "epifania" da vocação

A universalização da Incarnação do Verbo deu-se sempre com passos pequenos e humildes. Desde o Seu nascimento em Belém, a contemplação dos pastores, a visita dos Magos (eram só três buscadores sábios…), a apresentação a Simeão, etc.
Podemos dizer que a grande “epifania” ou manifestação foi aquela que aconteceu no rio Jordão, onde Jesus “Se deixou” batizar por João. Esta é, de facto, uma grande manifestação, porque revela Jesus já adulto, uma vez saído da intimidade da sua infância e juventude, para iniciar a sua vida pública.
Penso que também acontece assim com todas as pessoas: quando ultrapassamos os limiares que nos desligam da vida privada “imposta” pela dependência da família, então estamos capazes de assumir uma vida pública, aquela em que aparecemos formalmente visíveis a todos através de uma opção fundamental de vida.

Do contacto com o acontecimento da Incarnação, seja na contemplação de Jesus Menino, seja no confronto do Ungido Adulto, a vida de cada um e uma não pode ficar igual. A “epifania” de Jesus não é uma mera questão de transmissão textual ou confinada às tradições de Natal; é uma questão de relação de pessoa a pessoa, através do assumir de um papel permanente e determinante. É o caso de quem, uma vez escutado o chamamento do Senhor e feito um caminho de discernimento, se decide por viver um estilo de vida como o Sacerdócio, o Matrimónio ou a Vida Consagrada. A escolha de uma vocação é o ato de decidir entrar na vida pública. Enquanto este limiar da liberdade, com base numa iniciativa de amor divina, não for umtrapassado, a pessoa continua a viver dependente do contexto de vida privada.
Escutemos o “Filho Bem Amado” e sigamos-Lhe os Seus passos…

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