Na realidade o amor, na fantasia o temor

[Leitura] 1Jo 4,11-18; Mc 6, 45-52

[Meditação] Todos nós já, alguma vez, desejámos que Jesus fizesse acontecer alguma coisa para termos a certeza de que Ele existe ou para nos dar um sinal de que precisamos para seguirmos fortes em frente. É compreensível, mas… será que estes desejos nos levam a algum lado?! Certamente que não.
Alimentar este tipo de desejos no nosso coração equivale a obrigar a nossa mente a criar filmes e fantasias, onde fazemos acontecer aquilo que Deus tarda em realizar segundo o que desejámos. Esta tendência afasta-nos da realidade, lugar onde Deus Se quer encontrar, realmente, connosco para nos dizer Quem é, o quanto nos ama e o que espera de cada um de nós. É na realidade que habita o amor!

As fantasias só fabricam o temor, porque, nelas, por melhor que as pintemos, só existem ilusões que não dizem o que verdadeiramente desejamos, nem vemos bem os destinatários ou objetos que desejamos, porque aparecem distorcidos. O resultado é a solidão e o medo.
No amor perfeito não há temor. Quanto pisamos a realidade, com coragem, podemos vir a ter alguns sustos, mas, à medida que nos formos acostumando e confiando, o medo ou o temor irão desaparecer.
Jesus, de facto, é o único que pode contrariar as coisas naturais para vir ter connosco e salvar-nos. Isso pode acontecer a cada momento (Porque será que ontem não terei tido um acidente? Será que Jesus interveio para que não acontecesse?). Na fantasia, somos nós a fazer o guião do filme e a colocar lá as personagens, nem, porventura, damos lugar a Cristo, já que O demitimos por causa da sua aparente inércia.
Viver agarrados à realidade, permite-nos, mais tarde ou mais cedo e se vivermos a sério, verificar a alternância entre o positivo e o negativo. Na verdade, não poderíamos verificar um se o outro não existisse por contraste, uma vez que “a vida não é só um mar de rosas”.

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