Publicado em Lectio Humana-Divina

Ensinou demoradamente… Saciou abundantemente…

[Leitura] Mc 6, 34-44; 1Jo 4, 7-10
[Meditação] O povo costuma dizer que “quem dá o pão, dá educação”. Inspira-se na atitude de Jesus que, antes de mandar distribuir o pão multiplicado pela bênção da gratuidade de Deus,”começou a ensiná-los demoradamente”.
É notório, por parte de quem exerce a missão de educar, que só com o amor acontece uma verdadeira educação. Esta implica, de facto, tirar-de-dentro, não só sabedoria, como também o que há de possibilitar o próprio sustento. “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Assim como não se pode “saciar” só a inteligência, também não se pode viver sem o alimento da Palavra de Deus.

O convite a viver “por Ele” significa viver “por amor”, uma vez que “Deus é amor” e amou-nos primeiro, dando-nos o Seu Filho Unigénito, ensinando-nos que no “dar-se” está a verdadeira fonte de humanização e de salvação.
O déficit de vontade naqueles que educamos ou acompanhamos é, porventura, proporcional ao déficit de presença demorada que atenda o espírito e o físico. Nos paízes ricos, há abundância de bens alimentares e “alimentos” da emoção; nos paízes pobres há déficit de alimentos e vontade de aprender mais. Arrisco em afirmar (uma vez observando) que uma das formas que os paízes detentores de riqueza e poder têm de rebaixar os paízes pobres para que estes não lhes tirem esse “pódio” é (através da “dívida”, etc.) tirar-lhes a abundância de alimentos, enfraquecendo a consistência e vulgarização da formação intelectual. Aos paízes pobres, vontade não lhes falta: de sentido, de justiça e de paz, valores alcançados pelo equilíbrio e abundância daqueles bens. Herodes continua a matar… E Jesus, o verdadeiro Rei, a ensinar… e a saciar…

Autor:

Padre da Diocese de Viseu