Testemunhar é – só – mediar Alguém!

[Leitura] Jo 1, 29-34

[Meditação] É curioso que João Batista ainda não conheça Jesus de todo e já O anuncie. Ele mesmo afirmou que não era digno de desatar as correias das Suas sandálias: era porque Ele era antes dele e iria avançar para além dele. Portanto, João Batista, apesar da sua seriedade e coerência, sente-se imperfeito diante d’Aquele que vem depois dele. O Batista sabe que não sabe tudo; e, mesmo assim, sem O conhecer perfeitamente, declara-o “o Cordeiro de Deus” e batiza na água para que os purificados possam, também, reconhecê-Lo.
– Não será que nas nossas comunidades haverá pessoas que têm medo de testemunhar Jesus Cristo só porque acham que O deveriam conhecer melhor?

– Por vezes, não recusaremos o testemunho de alguém, por acharmos que essa pessoa não tem os requisítos mínimos… ou não é tão afamada como deveria?

Acontece, até, não aceitarmos um ministro das celebrações na ausência ou espera do presbítero ou um ministro das exéquias, diácono ou leigo, por acharmos que, ainda que delegado pelo pároco, “não é a mesma coisa” ou “não são tão bem preparados”…? 
Até nos damos ao luxo de querer escolher de entre aqueles presbíteros que Ele prepara e nos oferece como dom para no-Lo partilhar na Eucaristia…
Dá impressão que no presbítero está toda a perfeição e não haveremos de esperar Outro, o Único e Definitivo Pastor, Aquele que nem o presbítero é digno de desatar as correias… do caminhar que é, livremente, o d’Ele até quem mais precisa da Sua libertação. 
Permanecer n’Ele é uma forma de chegarmos a ser o que Ele nos promete. Serve para isso essa relação filial que a todos nos veio permitir com o mistério do seu nascimento.
Falta aos cristãos de hoje, sobretudo aos de tradição católica, um pouco da sabedoria socrática (“eu só sei que nada sei”) para ajudar a procurar, na prática, a renovação de que a Igreja precisa para continuar clamar a manifestação do Cordeiro de Deus que veio para tirar os pecados do mundo. Esquecemo-nos de que, na Igreja, somos todos chamados a ser meramente mediadores de uma graça que tem a sua origem e o seu fim precisos: Ele e o seu projeto salvífico. E esquecemo-nos de que Ele dá a sabedoria e põe as palavras na boca de quem quer, quando e onde for preciso. Mais desertos como o do Batista, precisam-se!
%d bloggers like this: