Publicado em Lectio Humana-Divina

Nesta "última hora": olhar para trás ou para a frente?

Por estes dias do ano, nos jornais, na TV e nas conversas sociais, abundam retrospetivas, umas para se fazer se encerrar o “livro de tombo” do que passou e se fez, outras para se fazer uma análise de conjunto e avaliação do acontecido. Nada mal…
No entanto, à maneira de um carro que tem os faróis virados para a frente e não para trás, a pessoa crente é chamada a acolher a novidade de um ano novo, confiando na Luz que nos vem do Verbo incarnado. Se analisamos e avaliamos o passado, que seja na presença desta Luz da Verdade, senão quisermos correr o risco de não tirar proveito do que se viveu e aprendeu.
Muito do que se diz, nestas horas, quase em grande resumo, pode sem sequer conter o essencial; ou, então, pode acontecer que nem sequer saia exlatada a verdade; muitas vezes sucede, pois, que sejam somente declamações como de uma “pintura nova sobre parede suja” para manter a aparência e apaziguar a consciência, tão necessitada daquela novidade que bate à porta e à qual não se sabe responder sem algum desajeitamento.
Não é por acaso que a figura de João Batista abre o Advento e, também, nos ajuda a abrir a experiância de um ano novo, ele que, conforme nos relata o Apóstolo João no seu Prólogo (cf. Jo 1, 1-18), não sendo a luz, veio “para dar testemunho da luz”, o Verdo, para que acreditemos. Por isso, mais do que presos a análises e avaliações, onde se esconde, por vezes, a mentira do Anticristo (cf. 1Jo 2, 18-21), somos convidados a acolher esta Luz nova com a unção que nos foi dada, a de sermos filhos de Deus.
Que a entrada neste novo ano de 2015 aconteça, pelo menos, com a confiança da Criança que se abandona nos braços de seu Pai! A liturgia do primeiro dia do novo ano, volta a convidar-nos a baixarmo-nos diante deste Emanuel que nasceu pequenino para a todos, fracos e fortes, nos elevar. Portanto, iniciemos o novo ano a olhar para a frente, mas a começar por baixo… porque a Luz que ilumina… é a que vem do Presépio!

Autor:

Padre da Diocese de Viseu