Menos ativista, mais ativo… depende da fonte de energia motivacional

Quando a omnipotência que perdura é a da infância (cf. SCOTT PECK, O caminho menos percorrido) na vida de uma pessoa, é possível que ela se torne um ser ativista, pois o que faz é, talvez, em resposta reativa às ameaças externas que lhe podem trazer danos a essa omnipotência. Portanto, são os impulsos de defesa que o levam a responder a possíveis ameaças exteriores. Este registo pode levar a pessoa a viver, no obrigatório desenvolvimento da experiência interpessoal, sob dinâmica do “dever” serviçal para obter a segurança que, mais ou menos conscientemente, sabe não poder gerir sozinha. Esta dinâmica, por si, uma vez que é meramente reativa e é de uma obediência ambígua (não se sabe bem se à ameaça externa se ao desejo de manter a omnipotência pessoal!).
Uma pessoa ativa, numa melhor fundamentação do termo, como atitude global humanizadora, começa por ser passiva, sendo consciente do Amor que está inscrito desde o seu interior e do interior da sua história privada e individual. Daqui se desenvolve um crescendo que é resposta não a desejos ou necessidades em torno da defesa pessoal não-sabemos-de-quê, mas de uma Omnipresença Omniconscientemente Omnipotente. Este tipo de resposta é Amor correspondido que, frequentemente, tem a aparência de perda de segurança pessoal, mas que atira para o outro, pondo a vida em jogo. Esta atitude globalizante – por ser assistida pela Graça e já não bloqueada pela outra solitária e equivocada omnipotência – transforma o amor em serviço, mesmo se se corre o risco de se perder. A Sabedoria de Jesus serve de luzeiro interior para aqueles que servem a Sua causa e não causas egocêntricas (cf. Mt 16, 25); A verdadeira paz pode obter-se com as atitudes evangélicas da mansidão e da humildade, que são moções que vêm dessa luz interior (e não reações ao exterior) e dão espaço às necessidades dos outros (cf. Mt 11, 29). As motivações serão as do Mestre, os ideiais pessoais mais claros para uma pessoa mais afetivamente e efetivamente feliz (cf. Mc 1, 17).
O Papa Fancisco precisa de homens e mulheres que façam da Igreja uma comunidade “em saída” daquele dinamismo reativo medíocre e empobrecedor que a faz adoecer, porque apoiado numa solitária omnipotência de quem se quer defender contra “os de fora”; o Reino de Jesus é de Deus e é a sua Omnipresença Omniconscientemente Omnipotente que a Igreja é chamada a servir, não reagindo, mas deixando-se cuidar por Ele. Deixemos falar mais a voz divina que a fundou e menos os ímpetos humanos dos que formam esta Instituição!