Publicado em Integração Psico-Espiritual

Espiritualidade: coragem diante da novidade

A espiritualidade não é um novo museu. A espiritualidade pretende dar novas respostas a novos problemas. Vivemos, de facto, diante de uma realidade caõtica que nos faz ter medo. Então, a espiritualidade deve ajudar a defrontar esta situação.

A espiritualidade não pode ter medo da novidade, pois Jesus disse: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas.»(2Cor 5,17).

Os teólogos não devem ser só doutores (adormeceriam os cristãos!), mas também profetas e pastores. Os teólogos da espiritualidade devem promover e defender a liberdade da pessoa, na busca de autenticidade e maturidade. É por aqui que também entra o Reino de Deus!

É urgente, por isso, pôr em prática uma “espiritualidade da incarnação”, em que o paradigma é o Verbo incarnado. «Todo o espírito que confessa Jesus Cristo que veio em carne mortal é de Deus» (1Jo 4,2). Esta espiritualidade tem a missão de explorar os significados deste acontecimento da salvação.

Diante destes novos cenários culturais e eclesiais dentro dos quais toma forma o “novo” da experiência espiritual, a espiritualidade precisa de maturar a capacidade de elaborar as novas respostas para os novos problemas. Não é para fugir à angústia que se colhe diante à novidade deveras fragmentada e desconectada que se deve tentar o papel terapêutico da espiritualidade. Para além do terapêutico, deve demolir o medo da novidade, sublinhando a fidelidade às promessas de Deus. Mas deve também sustentar o papel das “sentinelas” que perscrutam as trevas para acolher a primeiras centelhas da alva que lhe sobrevêm (Cf. B. SECONDIN, Spiritualità dell’Incarnazione, in: Vita Spirituale, dinamiche di crescita e di maturità, Sebenta para uso dos alunos, p. 33).

Autor:

Padre da Diocese de Viseu