Travessia: da memória da libertação à experiência da liberdade

Para o profeta Jeremias, não bastava saber que os filhos de Israel tinham sido libertados da opressão do Egito; era necessário acolher a possibilidade de tomar posse da terra da liberdade prometida (cf. Jer 23, 5-8). Maria e José, na aventura do Mistério do Nascimento do Filho de Deus, também fizeram essa travessia entre a libertação dos esquemas humanos e o acolhimento de uma “terra nova”, ou seja, uma nova forma de conceber… a Maternidade (Maria acolhe o Filho de Deus… a Paternidade (José acolhe Maria como esposa, não só porque estava noivo, mas porque foi convidado a ser seu pai adotivo) e… até uma nova dimensão da história, em que o que conta é o Deus sabe e vê, em vista a um novo povo. A liturgia destes dias sugere que saibamos alargar o possível (Isaías: “alargar a tenda”) para podermos dar espaço ao impossível. A relação entre o possível que tentamos conquistar todos os dias e o impossível que sabemos ser obra de Deus não é uma relação “impossível”; o alargamento de um (o possível) é necessário para que o outro outro seja reconhecido (o impossível) e vice-versa: temos sempre a responsabilidade de lutar para o o possível aconteça, confiando, contudo, que Deus realize o que é a Sua obra. Conquistemos a liberdade, sabendo, de antemão, que teremos de a entregar a Deus para que Ele nos faça entrar na terra da promessa.