Voz que clama, Presença que se avizinha

“No meio de vós está Alguém que não conheceis…” é uma das afirmações de João Batista, figura a que a Litugia do Advento dá destaque deste o 2º domingo (cf. Mc 1, 1-8; Jo 1, 6-8.19-28). A proposta pedagógica deste 3º domingo é “Endireitar o caminho” para podermos conhecer o “Senhor” e viver a partir d’Ele. Não se trata, meramente de um trabalho de regresso à “casa” de uma felicidade pessoal, mas de uma “saída” para fora de nós mesmos, à maneira do que o Papa Francisco nos sugeriu na sua carta “A Alegria do Evangelho” (n.º 20), com o seguinte trajeto de caminhar em Igreja:

(1) Primeirear (2) Envolver-se (3) Acompanhar (4) Frutificar (5) Festejar. Poderíamos assumir este trajeto assim, à meneira dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35):
(1) Assumir o deserto da solidão, da tristeza ou de alguma frustração caudadas pelo egoísmo ou insensibilidade pode ser um bom começo, antes de qualquer ação ousada fora de si (os grandes feitos começam dentro e não fora de nós mesmos);
(2) Envolver-se com os outros a partir de pequenas ações e não só grandes projetos (que tantas vezes nos levam a gastar esforços e bens que nunca chegam aos pobres);
(3) Acompanhar as sementes do bem em nós iniciado por Deus no crescimento discreto e lento do quotidiano (onde se fazem avanços invisíveis decisivos que são fermento da qualidade que o imediatismo não dá);
(4) Saborear os frutos que o Senhor nos dá da sua bondade, para não desfalecermos no caminho, assinalando este com as pequenas vitórias que vamos conquistando em conjunto (permitem-nos sentir o sabor de frutos maiores que nos estão reservados na promessa);
(5) Fazer festa, mesmo que não sintamos a alegria plena, pois a alegria limitada é preanúncio que também sabe escutar o clamor dos pobres, não se perdendo em euforias estéreis (significa a humildade de nos prepararmos com o traje simples, mas puro, em vez de vestes caras, mas sujas).
Pode acontecer que no “primeirear” nos sintamos e estejamos, de facto, sós, como João Batista no deserto, mas, se tivermos a coragem de não desistir, certamente cresceremos e festejaremos a presença do Senhor na comunidade dos irmãos reunidos à Sua volta, a comungar da Sua vida divina, a partir da Sua Presença real.

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