Publicado em Lectio Humana-Divina

Sentinelas do Advento

Se és moderado e senhor de ti mesmo, vigia sobre as moções do teu ânimo e os impulsos do teu corpo, evitando todas as inconveniências; não os ignores pelo facto de serem ocultos; pois não importa que ninguém os veja, se tu de facto os vês. (S. Martinho de Dume, Séc. VI)

Também o profeta do dia (Isaías) proclama: “Os espíritos desnorteados aprenderão a sabedoria e os murmuradores hão de aceitar a instrução” (29, 17-24). Convém que a vigilância proposta como pedagogia do Advento comece por cada um em si próprio, reconhecendo o que se é e acolhendo Jesus na casa que é a consciência pessoal e o seu coração. “Ver” é o objetivo de todo o homem e mulher à face da terra, contando que se procure mais a visão interior, tantas vezes mais necessária do que a mera visão física para ver mais do que a realidade material. A cura não precisa de ser vista por alguém (cf. Mt 9, 27-31). Importa é reconhecer a sua necessidade e pedi-la com humildade e confiança. A fé já é a visão do coração, muitas vezes escondida pelas escamas de um olhar superficial e obscurecido por aquelas inconveniências de um ânimo pouco esclarecido e de impulsos desorientados. Moderação com a oração fazem a “sentinela do Advento” que é todo o cristão, atual incarnação do Emanuel-Deus-com-os-homens.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu