Dá-me o ouro o teu coração…

Mestre
Olá, Jonas, estás muito pensativo!

Jonas
Olá, Mestre. Estou, sim. Num destes dias, entrei numa livraria e, no fim de comprar uns livrinhos, a menina do balcão pediu-me que tirasse um papelinho de entre muitos que estavam num recipiente, dizendo-me que o que me calhasse poderia servir para a meditação do dia. E… queres saber o que me calhou?

Mestre
Vá, conta lá, que estou curioso!

Jonas
Dizia no papelinho que tirei à sorte: «Dá-me o ouro do teu coração. Com o amor comprarás o incenso para a oração e a mirra para o sofrimento».

Mestre
Que bonito pensamento e, mais do que pensamento… é o pedido de alguém. Quem será esse alguém que te pede esse ouro?

Jonas
Bem… a primeira pessoa que me veio à mente foste Tu. Sei que inspiras os meus pensamentos, estás presente mesmo quando não Te vejo e também me podes falar através de pessoas, sinais, textos, acontecimentos…

Mestre
Quase lá. Sim, influenciei aquela menina para te convidar a tirar um papelinho, mas esse pedido vem de mais alto.

Jonas
Mais alto, como? Tu és o melhor amigo. E, como tal, quem poderia enviar-me tal mensagem?

Mestre
Sim, frequentemente são os amigos a inspirar tais acções, mas o pedido que está escrito nesse papelinho vem de alguém que está acima de Mim. Por isso, fiz tudo para que te calhasse.

Jonas
Esse Alguém é o…

Mestre
Sim, diz.

Jonas
…Pai. Mas… como pode Ele pedir-me o ouro, se no meu coração só sinto ferro, alguma ferrugem e, só de vez em quando, alguma prata?

Mestre
Não sejas mesquinho em atribuir-te valor. Estás habituado a ver pessoas a atribuir-se muito valor, como se esse valor dependesse delas. Isso faz com que te diminuas, porque te comparas demasiado com essas pessoas. Também elas precisavam que lhes calhasse um papelinho como o que tu tiraste daquele recipiente. No entanto, elas por uma razão, tu por outra.

Jonas
Podes explicar-te melhor?

Mestre
Sim, claro! Quando as criaturas pensantes se atribuem valor demasiado, sem darem conta que a sua fonte é o Pai, a essas Ele pede reconhecimento. O Pai pede-lhes esse “ouro”, com o qual podem obter o “incenso”, única oração que chega aos seus ouvidos. Aos que, como tu, não sabem sequer reconhecer que o Pai os faz “depósitos” do seu Amor, por falta de um reconhecimento do próprio valor de suas criaturas muito amadas, então Ele inspira-os a trocarem com esse ouro pela “mirra” que os cura disso a que chamas “ferrugem”.

Jonas
Ha! Deixa ver se compreendo: para fazer uma oração que tenha valor, os orgulhosos terão que comprar incenso verdadeiro, daquele que sobe mesmo aos céus; os que têm uma baixa-estima necessitam de obter a mirra que cura essa auto-humilhação que enferruja o coração.

Mestre
Estás a meditar bem. Na verdade, ambos – os que não reconhecem Deus como Pai de Quem vêm todos os dons e os que não sabem reconhecer-se como filhos muitos amados – precisam de incenso e de mirra. Ambos sofrem qualquer desvio na relação criatura-Criador. Ele ama-os a todos, sem excepção, mas ama-os de maneira diferente, conforme a distorção do coração. A ambos, o Pai dá aquele ouro que é o Seu Amor, umas vezes mal polido no coração de uns ou então enterrado no coração de outros. Àqueles é difícil  não se reconhecerem donos, a estes é complicado não se reconhecerem destinatários desse ouro.

Jonas
Obrigado, Mestre. A meditação que uma pequenina frase pode provocar!… Daqui em diante, vou dar mais atenção às pequenas coisas: pensamentos, sinais do amor de Deus…

Mestre
E nunca te esqueças: o amor de Deus está no teu coração. Ele quer-lo de volta, mas só depois de te ter transformado. Em troca, Ele dá-te…

Jonas
Incenso e mirra.

Mestre
Isso. Desses bens espirituais precisarás para reconheceres o Pai e reconheceres-te como filho; para viveres uma alegria verdadeira, como fim, e o sofrimento com sentido, como meio. Nunca deites fora um papelinho sem o ler… e meditar nele. Poderá conter grandes tesouros!

Jonas
Obrigado, Mestre!

Mestre
🙂