A vocação e a dimensão da resposta: dimensão esquecida?

No VI Fórum Nacional das Vocações, em Fátima, escutámos pela boca do nosso orador, P. José Luís Moral (sdb), que a vocação é sobretudo resposta, já que Deus chama a todos a uma vida realizada na felicidade (cfr. conferência).
Introduzindo o título, podemos contemplar uma pessoa usando uns “óculos a três dimensões”:, como se esses óculos tivessem três lentes ou três modos de ver a realidade da pessoa:
1. Através da primeira lente podemos ver a primeira dimensão: a dos valores sobrenaturais. Nesta dimensão vive-se o conflito graça-pecado.
3. Através da terceira lente podemos ver a terceira dimensão: a dos valores naturais. Nesta dimensão vive-se, mais ou menos conscientemente, a dialéctica entre a normalidade e a patologia.
2. Através da segunda lente podemos ver a segunda dimensão: a dos valores institucionais ou institucionalizados. Nesta dimensão interagem, de forma mais ou menos conflituosa, maturidade-imaturidade.
Esta segunda dimensão ficou para último lugar nas nossas considerações porque foi durante muito tempo esquecida pela pedagogia humana e vocacional, como se tudo na pessoa – inclusive o crescimento e a vocação – dependessem somente dos factores naturais e sobrenaturais, magicamente, sem a liberdade e a interacção do próprio indivíduo.
Não está em causa que a vocação seja iniciativa da benevolência de Deus. Ele chama quem quer e “ponto final”. Ma há um “parágrafo”: aquele que dá todo o espaço e todo o tempo do mundo a cada pessoa. No entanto, a resposta depende desta e só desta. E ainda há o modo como essa resposta pode acontecer.
A antropologia cristã não deixa de nos inspirar a que levemos a sério a “segunda dimensão” através daquela segunda lente a partir da qual podemos contemplar o ser humano: a da relação entre aspectos que demonstram sinais de maturidade e aqueles que declaram uma inequívoca imaturidade. Nesta dimensão interagem as outras duas (os valores sobrenaturais e naturais). No entanto, entre o fogo e o ferro, tem de agir a bigorna e o martelo, para que a graça forme a natureza da pessoa, a precisar de novidade. 
A graça e o pecado, a normalidade e a patologia dependem também da relação entre agentes externos e internos (pessoas, factores e circunstâncias) que formem a consciência para a acção da vontade. Dizia aquele orador do VI Fórum Nacional Vocacional que faltam-nos itinerários que ajudem a educar a vontade. 
Portanto, quem ousa acompanhar adolescentes e jovens, no crescimento e na vocação não se esqueça que também é do contacto humano quotidiano que depende a resposta vocacional (cfr.  Pr 27,17). Esta não é anulada pela iniciativa de Deus, mas é provocada por ela. Colaboremos, pois, com as comunidades, famílias e indivíduos na existência de ambientes e relações que favoreçam autênticas e maduras respostas vocacionais. Deus faz o que promete; falta a nossa parte!