Formação Inicial e Formação Permanente III – a passagem

Uma das questões acesas na reflexão sobre a FI e a FP é a da passagem de uma para a outra, já que uma se refere à instituição Seminário (seminaristas-formadores) e a outra à Diocese, no serviço e na relação com os outros (bispo, irmãos presbíteros e fiéis). Quando deve acontecer? Será a Ordenação o momento decisivo que marca o centro de convergência entre a FI e a FP?
Podemos dizer que sim, que a Ordenação é um momento importante de passagem, pelos motivos que se conhecem, sobretudo a novidade do Dom recebido. No entanto, seria bom aqui reflectirmos sobre dois tipos de ingenuidade nos quais se poderão cair:
1. A ingenuidade do próprio (neo)presbítero;
2. A ingenuidade da instituição formativa e dos que têm ao seu cuidado a missão de acompanhar os sacerdotes em formação permanente.
O primeiro tipo refere-se à ingenuidade dos presbíteros, sobretudo nos primeiros anos de vida sacerdotal, pensassem não ter necessidade de um guia para o processo da própria formação sacerdotal, especialmente nas vertentes espiritual e cultural. Neste sentido, seria sinal de uma FI não bem conduzida e desenvolvida. O autodidactismo é perigoso e imprudente, mesmo quando o candidato é já sacerdote. Fatalmente, acaba-se por fechar-se em todo o tipo de formação para romper a ligação entre FI e FP como entre “tempo forte” e “tempo contínuo”, entre meio e fim. Poderá cair-se também num desrespeito pela verdade do homem, ser essencialmente histórico e “uno” através da história e, pois, tornar extremamente difícil o processo de maturação da liberdade.
O segundo tipo é o da ingenuidade institucional que, apesar da FP ser chamada a desenvolver-se «com conteúdos e sobretudo com métodos relativamente novos» (PDV 71b) em relação aos próprios e específicos da FI, poderá correr o risco de deixar que entre esta e a FP haja um hiato que poderá, nos tempos que correm velozes, prejudicar a “deixa” da FI, que é “aprender a aprender” com a experiência e a fidelidade ao compromisso assumido. É, frequentemente, no tempo que vai da ordenação presbiteral e os primeiros anos de vida que os noe-presbíteros são deixados sozinhos, chamamento acompanhamento somente às suas presenças em momentos extraordinários de formação permanente do clero. Não se pode chamar acompanhamento à presença esporádica nestes “encontros. do clero”.
A FI tem, por isso, um papel importante nesta passagem: formar a formar-se, levando os candidatos a aprender a aprender, adquirindo a capacidade para se tornar progressivamente sempre mais homem espiritual segundo Cristo pastor, cabeça e esposo e, portanto, sempre mais capazes de santificar-se através do dom de si mesmos no exercício do ministério. Por quanto nos ensina a experiência, o entusiasmo sacerdotal não é feito somente de ideias e comportamentos novos, mas desta aprendizagem dócil na reklação com os outros e através experiência pastoral.
A vida presbiteral não pode ser uma simples aplicação do que se aprendeu em precedência, no tempo da FI. Seguindo essa simples e pobre aplicação, não nos admiraremos «daqueles fenómenos de inércia, de massificação, de “reforma” precoce, de auto-suficiência, etc. de consagrados que depois da ordenação ou a profissão perpétua praticamente decidiram não ter mais necessidade de alguma formação, com as consequências tristes que sabemos, de uma vida que se afastou progressivamente do ideal  e de uma pessoa que iniciou desde aquele momento um lento declínio orientado para a insignificância e a apatia, a repetição e a monotonia» (CENCINI, Uma instituição ao serviço da formação).
Responderia às perguntas iniciais deste post com uma outra, provocadora:
– Será que a FI deverá  terminar com a ordenação? Não seria bom, neste tempo, prolongá-la mesmo para depois da ordenação, embora através de outras mediações e métodos? é uma questão posta a quem elabora os processos de ordenação e incardinação numa diocese.
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