"É tudo por Deus!"

Um mestre do Islão rezou uma oração que se assemelha àquele ditado popular: 

Ó meu Deus!
Se te adorei por medo do inferno, queima-me em seu fogo.
Se te adorei pela esperança do paraíso, priva-me dele.
Mas se te adorei unicamente por Ti, não me prives da contemplação do Teu rosto.
(Râbi’a) 

Uma oração que nos ajuda a “calibrar” a nossa relação com Deus através das mediações que ele nos oferece e a partir das quais nos indica o caminho para nos mostrar o Seu rosto.
Um contributo para a integração da realidade do subconsciente e as possíveis ligações da psicologia do profundo com a antropologia cristã são oferecidos com o tema da auto-transcendência na consistência e na experiência de integração através de confirmações existenciais. Em termos mais simples: são os dados concretos da experiência da vida cristã que nos confirmam se a nossa relação com Deus é consistente ou não e se a nossa relação com Deus está orientado pelo valor que Ele é, ou por uma utilidade desejada pelo nosso ser primário.
Num tempo onde as relações humanas são permeadas por objectivos numéricos e materialistas, o cristão corre também o risco de se relacionar com Deus por medo, pelo Céu, por isto ou por aquilo… e não com Ele mesmo, Aquele que veio para instaurar uma relação pessoal.

Na base de uma consciência cristã mais esclarecida, poderemos não escandalizar-nos, mas compreender o mistério da Cruz. O medo ou a euforia desregrada pelo Reino pode-nos afastar da contemplação do verdadeiro rosto de Deus. São duas patologias extremas que afastam do centro. Por isso é que cada homem e mulher tem, cada um na sua própria medida, duas tendências ou necessidades contrárias na estrutura do seu ser: a necessidade de auto-humilhação e a necessidade de reconhecimento pessoal. Em equilíbrio, estas afastarão quer do medo, quer da ambição que afasta do ideal.
O homem não é só um dado que o situa nos limites, mas também uma finalidade motivacional com o horizonte no infinito. Só uma relação centrada em Deus é que poderá ajudar o homem a resolver todos os conflitos (medo, euforia…) que o afastam de si mesmo e dos outros em direcção àquele horizonte.