Formação Inicial e Formação Permanente I – chave diacrónica

Entendemos “formação sacerdotal” como aquele processo de maturação da pessoa que se actua como caminho:
ao Sacerdócio: Formação Inicial, de base, fundamental (=FI);
no Sacerdócio: Formação Permanente, contínua (=FP).
A Pastores dabo vobis (nn. 42-60 e 70-81) já desenvolve amplamente as motivações que induzem a afirmar a necessidade da FP e a justificar a continuidade/descontinuidade entre a FI e a FP. Esta exortação do Papa João Paulo II fala deste processo como um conjunto de mediações tais como razões, dimensões, significado, ambientes, protagonistas, responsáveis, momentos, formas e meios.

Neste pequeno post temos somente a breve possibilidade de fazer notar como entre a FI e a FP se requeira, juntamente com a respeitosa distinção das diferenças específicas, uma integração para salvaguardar a unidade da pessoa humana através do factor “tempo”. Ambas (FI e FP) convergem no facto de serem tempo de maturação, de crescimento, de aprofundamento. Porém, divergem quanto ao modo no qual se realizam como tempo de prova e discernimento: para o candidato ao sacerdócio, o tempo de formação, para além de ser tempo de uma primeira aquisição dos valores sacerdotais, é tempo de discernimento também em relação ao “será que é?” e não só acerca do “como será?”. 

O candidato ao sacerdócio, ao menos nos primeiros anos do Seminário, deve verificar em profundidade se se sente verdadeiramente chamado pelo Senhor ao sacerdócio ministerial, e os seus formadores, por sua parte, devem “escrutinar” e avaliar a autenticidade da sua vocação: do confronto e da integração entre os dois tipos de discernimento, num clima de diálogo corresponsável e mútua confiança entre formador e candidato, resulta e desenvolve-se o discernimento conclusivo do Bispo para a admissão às Ordens.

Uma vez que o candidato recebe o Sacramento da Ordem,a ninguém, nem ao próprio, nem aos seus superiores, é lícito pôr em questão a sua vocação, a menos que surgissem dúvidas muito fundamentadas sobre a própria validade do Sacramento. Nem mesmo a ilicitude ou uma aproximação imprudente da parte do candidato ou da autoridade que o admitiu às Ordens pode justificar um discernimento por parte do padre sobre a existência do seu chamamento ao sacerdócio. Contudo, poderá ser sempre prudente, não só no período da FI, mas também depois da Ordenação, até à morte, o discernimento acerca do modo de actuar e viver em concreto a própria vocação ao sacerdócio (FP).

MAURIZIO COSTA, 260-262

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