Publicado em Formação Sacerdotal

Tridimensionalidade da formação

Falando em chave diacrónica, a formação sacerdotal emerge de uma relação horizontal entre instituições e pessoas que medeiam o surgir da vocação e o ministério sacerdotal na história. O chamamento é o princípio a caridade pastoral é o fim. O marco central desta horizontalidade será o Sacramento da Ordem, à volta do qual se aproxima e expande a configuração com Cristo, Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja.
Para todos os que desejam ser formados em Cristo, a formação sacerdotal tende a criar em quem está no Seminário ou em quem já foi ordenado presbítero e se encontra empenhado na vinha do Senhor uma progressiva capacidade de doar-se através de um amor total e indefeso a Deus e aos homens e uma pronta disponibilidade a fazer dom de toda a própria vida à imitação de Jesus. Para todos estes, desde a entrada no Seminário até ao dia da morte, trata-se de percorrer um itinerário unitário e contínuo.

A formação ininterrupta, integrando harmoniosamente as partes dos diversos aspectos formativos sobre o fundamento do amor sacerdotal, deverá constituir para o presbítero o precioso mosaico da unidade de vida. (cf. PO 14; PDV 72)

Com esta citação se afirma a intrínseca ligação que existe entre as diversas fases da formação sacerdotal que há que ver como etapas de um único caminho e itinerário, através de “pedaços” ou “fragmentos” que constituem, horizontalmente, a unidade de vida do presbítero. Considerar essa  horizontalidade permite-nos contemplar e promover o desenvolvimento temporal da formação nos seus vários aspectos, para, ao mesmo tempo, sermos ajudados a contemplar integração desses mesmos aspectos da formação na sua contemporaneidade, em chave sincrónica.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu