Um guia para o caminho

– Olá!
– 🙂
– No outro dia, davas-me um conselho, o mais importante do dia…
– Sim, ainda te lembras de qual era?
– Sim, claro!
– Ainda bem. Significa que o consideras importante. Deixa-me adivinhar… queres encontrar um guia.
– Haaa. Era fácil tu descobrires, porque foste Tu a dar-me esse conselho de procurar um guia para facilitar o caminho da descoberta do ideal total que dá felicidade à minha vida.
– Sim, é verdade, mas a contar com a insegurança dos jovens de hoje e a tendência que eles têm de fugir dos conselhos importantes, poderia pensar que me virias dizer como é que se caminha sem guia.
– Humm… poderia ser, tens razão. Já não seria o primeiro, nem o último a recusar essa proposta, andando à deriva à volta das próprias ideias e vontade.
– Essa é uma outra variação do final da história do jovem rico (cf. Mt 19,16-22b), em que um jovem poderá desistir do seu fadigoso caminho porque não quer deixar-se ajudar a sério por um guia. É a história do “jovem auto-suficiente” cuja história roda à volta dele num círculo vicioso.
– Mas eu estive cá a pensar com os meus botões: e se fosse o Mestre, o meu guia?
– Muito bem, essa tua ambição é boa, quando associada a um bem pelo bem.
– Podes, então, ser meu guia?
– Se posso?… Eu sou o teu Guia.
– Ufff. Encontrei-o!
– Ep! Ep! Mas para te orientar no teu caminho, terei de usar os meus mediadores.
– Mas, então…?
– Sim, o meu Espírito é o teu Guia. No entanto, precisas de um guia. E pode ser mesmo um com letra minúscula, alguém que já manifestou mais cedo essa vontade de caminhar como tu e que já fez caminho e aceita voltar atrás para caminhar a teu lado.
– E Tu não estás já a meu lado?
– Humm… estás a ver?! Já estás a encontrar razões para não procurares um guia. Sim, Eu estou sempre a teu lado e sei tudo o que se passa contigo e o melhor modo de seguir a direcção do teu caminho, mas o desígnio de amor e de salvação que reservo para ti não o poderias aceitar de uma vez por todas. Por outro lado, já estou à direita do Pai, de onde acompanho toda a humanidade. Será melhor teres um guia que esteja também nesse caminho e que ainda sinta, como tu, a necessidade de ser guiado por alguém. Assim darás passos mais adequados às tuas pernas.
– Já compreendi. Tenho mesmo de procurar um guia que me saiba orientar a deixar-me guiar por Ti.
– Muito bem. Juntas a ambição sadia à inteligência. Estás a juntar as coordenadas que te vão ajudar a encontrar um guia capaz de te deixares orientar por Mim.
– Coordenadas?! Repete lá isso, para eu começar a juntar as ideias.
– Ambição e inteligência ou pensamento. Mas olha que são só coordenadas.
– Só coordenadas, como? Não bastam essas?
– Ter uma ambição positiva por te deixares guiar e pensares nisso já é muito bom, mas sabes por onde começa a procura de um guia espiritual?
– Começa por… diz lá de vez, por favor!
– A procura de um guia espiritual começa com a oração. A maior parte das pessoas começa com a procura pelos contactos da agenda, visita o centro de retiros mais próximo ou pede o parecer a pastores ou sacerdotes. Estes passos, assim como a tua ambição e inteligência, são úteis, mas o verdadeiro lugar de onde começar é pedir a Deus que te ajude a tomar as rédeas do teu caminho.
– Não estava à espera que fosse a oração!
– Pois. Quando alguém ouve falar da importância de um guia espiritual para um caminho importante como é o da vocação, acaba por achar que ter um acompanhamento assim é uma coisa para poucos ou por considerar que guias bons são raros. Mas não é tão simples assim. Corre por aí uma tendência que põe muito alta a fasquia deste acompanhamento, como se para alguns fosse possível encontrar um guia e a outros ser somente guiado por Deus. No entanto, Deus serve-Se de quem quer para acompanhar cada uma das suas criaturas. E no que toca a estas, nada está ao acaso!…
– Então e depois da oração?
– Depois da oração ou na oração, deves pôr-te as seguintes perguntas: o que é te leva a necessitar de um guia espiritual? Que qualidade deve ter para poderes partilhar a tua vida? Certamente que o elenco destas e de outras qualidades te atirará para alguém que conheças. Para aceitares este impulso deverás ter um coração suficientemente aberto à novidade para aceitares a inspiração que o Espírito de Deus te oferecer.
– Que engraçado! É também o teu Espírito a guiar-nos a um guia que me ajudará a guiar para ti!
– Sim, podes dizê-lo. 🙂
– Vou fazer o que me recomendas. Até ao próximo encontro!
– Antes de ires embora, dou-te mais uma coordenada ou motivo para procurares um guia: certamente que no teu dia-a-dia vives momentos mais ou menos dramáticos em que não vês a porta de saída de um problema.
– Sim, é verdade.
– Pois nesse teu “aqui” e “agora” imagina como ajudaria alguém ao teu lado para te ajudar a ver o que sozinho não consegues ver.
– Deveras!… E passa o tempo e mais um problema por resolver.
– Pois é! A oportunidade de resolver os problemas mais sérios, aqueles que são problemas verdadeiros, com a ajuda de um guia dá-te instrumentos para resolveres problemas futuros com outra maturidade, pelas tuas próprias mãos. E fico por aqui, recapitulando: oração e uma imaginação de quem te poderá ajudar, enraizada no teu momento de necessidade de ajuda. E estes são só pontos de partida de um longo, mas feliz, caminho.
– Obrigado, Mestre. Adeus!
– 🙂

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