Publicado em Formação Sacerdotal

A centralidade da pessoa e a lei da totalidade

De fundamental importância para esclarecer o conceito de formação na Igreja é a consciência que ela adquiriu da centralidade da pessoa, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II: na base de qualquer tipo de formação na Igreja não está um modelo ou quadro de referência ideológico, ainda que fundado sob a Revelação de Deus, mas um modelo teológico-antropológico pessoal, ou seja, a pessoa de Jesus.
Na acção de formar, mais do que um modelo cultural (património de ideias, de princípios, de valores…), mais do que um modelo operativo eficiente e até apostólico, mais do que um modelo de realização humana ou ainda de perfeição espiritual pessoal que poderia ser oferecido pela figura de um Santo, conta de forma decisiva e imprescindível a própria pessoa de Jesus a imitar e a seguir de forma bem precisa e específica, segundo as diversas vocações na Igreja. Trata-se, porém, no respeita à vocação à Vida Consagrada e ao Sacerdócio Ministerial, de revestir-se da pessoa de Jesus no seu dar-se profundamente, com amor total e indefeso, ao Pai e aos homens, actuando ao mesmo tempo o dom de si e de toda a própria vida. Daqui emerge a prepotente lei da totalidade como estratégia geral e fundamental do processo de formação (cf. Vita Consecrata, 65; Pastores dabo vobis, 44).(Cf. MAURIZIO COSTA, 251)
A lei da totalidade, enfim, significa a referência a toda a vida do sujeito e, por isso, a formação permanente. Se se deve formar o coração humano para que aprenda a amar como o coração divino, é óbvio que o processo não pode senão durar toda a vida. Então, se o objectivo educativo é assimilar o “coração” do Filho, a formação não é só – como se entende frequentemente – método pedagógico (relativo somente à fase inicial), mas também, como se sublinha com a referência à pessoa de Jesus, modo teológico de pensar a própria vida consagrada ou sacerdócio, porque a consagração é, em si, formação, lenta e interminável gestação do homem novo que aprende a ter os mesmos sentimentos do Verbo Incarnado (cf. CENCINI, 1998).

Autor:

Padre da Diocese de Viseu