Formação: da falta de clareza à consonância

Quer do ponto de vista teórico (teológico-antropológico), quer do ponto de vista prático (actuação de modelos educativos diversos e por vezes contraditórios), o tema da formação está longe de chegar a uma clareza unânime. Isto é compreensível se tivermos presente que, por um lado, a formação desenvolveu-se na Igreja sob a pressão do contexto civil e da cultura laica e “mundana” e, por outro, só há pouco tempo é que se começou a perceber a necessidade de integrar a sabedoria formativa que guiou a Igreja por longos séculos com a reflexão e contributos das ciências mais antropológicas como a psicologia e a pedagogia. Outro factor, ainda, que torna difícil a clareza do termo “formação” é o problema da objectividade sobre a complexidade da obra formativa. Ainda convém não ignorarmos os contributos que a própria Igreja oferece à sociedade com a reflexão desenvolvida acerca dos problemas internos no âmbito da formação.

A reviravolta antropológica operada pelo Concílio Vaticano II e a recuperação da centralidade da pessoa nos últimos trinta anos deste século, para lá de todas as ambiguidades que devemos reconhecer, são os primeiros e significativos sinais de uma mudança que se está a realizar na Igreja, as melhores “pedras preciosas” que se podem oferecer ao mundo contemporâneo, úteis para se precisar melhor a ideia de formação mais consonante com a complexidade da existência que o homem de hoje é chamado a viver.

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