Publicado em Integração Psico-Espiritual

Libertação interior, consciência e percepção

As pessoas que se dedicam à relação de entreajuda através da entrevista psicológica, sobretudo na linha rogeriana (Carl Rogers), sentem a importância e o papel da consciência e da percepção  da pessoa acompanhada como caminho de libertação interior, que nos leva a compreender a novidade única e individual que cada pessoa tem para lhes comunicar. Neste sentido, um imperativo forte é a atenção ao reino interior do outro, através da relação interpessoal.
Conquistar uma autêntica liberdade é, pois, uma luta inscrita no ser profundo de cada pessoa, em cuja história é possível captar sinais e tentativas dessa mesma conquista. Assim, podemos falar de uma “linguagem de libertação” na dinâmica da pessoa, linguagem que tem as seguintes características:
1. É dinâmica e relativa: não é estática, é operacional, reflecte uma busca de sentido mais do que uma definição;
2. É histórica e concreta: uma reflexão sobre perguntas de situação vivida e concreta da pessoa, uma reflexão sobre a história de cada pessoa;
3. Finalmente, é ambígua: difícil de definir a priori, como define J, Comblin, no contexto da libertação integral: «Libertação do pecado que é a escravidão que tem como autor o próprio homem, libertar da escravidão psicológica, do medo, da angústia, da rotina, da preguiça, das paixões, dos preconceitos dos homens de hoje…».
Podemos, com André Millette, definir libertação como um processo de consciência no homem que permite optar pela sua vida, de uma maneira progressiva e em todas as dinâmicas. No entanto, ficam por responder algumas perguntas inquietantes, que poderão inspirar as nossas Conversas com o Mestre
– Onde tem lugar a acção libertadora de Deus? Como é que ela acontece?
– Tudo depende da nossa consciência e percepção? Ou Deus pode libertar independentemente disso?
– Libertação é um monólogo ou um diálogo, como uma interacção entre dois partners?

Autor:

Padre da Diocese de Viseu