O revolucionar histórico da formação

O problema da formação foi retomado nos anos 80, no segundo pós-concílio, sobretudo por mérito da Congregação para a educação Católica que o fez objecto de análises aprofundadas nas reuniões plenárias de 1981 e 1984; e por mérito da preparação e desenvolvimento da 7ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos de 1990 sobre «A formação sacerdotal nas circunstâncias actuais». Já o Papa João Paulo II, na Exortação  Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis fazia notar que «o acento deslocou-se do problema da identidade do padre para os problemas relacionados com o itinerário formativo ao presbiterado e com a qualidade de vida dos sacerdotes» (n. 3). Esta afirmação do Papa justifica o post anterior, no qual se defendia como prioritária a ordem lógica do ideal de identidade sacerdotal para uma formação que o desenvolva. Entre os pontos mais importantes desta passagem e enriquecimento da formação sacerdotal, podemos sublinhar: 
1990: A 7ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, precedida pelos Lineamenta e pelo Instrumentum laboris, com todo o fervor do debate que a preparação do tema implicou, desenvolvido nas Igrejas particulares.
1992: O documento pós-sinodal de João Paulo II Pastores dabo vobis, com todo o conjutno de aprofundamentos que se seguiram através de publicações de diversa qualidade e importância, através das explicitações nos cursos sobre o sacerdócio nos Seminários e nas Faculdades de Teologia, e através dos congressos e sessões de estudo.
1993: O documento da Congregação para a Educação Católica Directivas sobre a preparação dos Educadores nos Seminários, que considera o problema da formação sacerdotal nos seminários sobretudo do ponto de vista dos sujeitos formadores e da sua formação específica.
1994: O documento da Congregação para o Clero Directório para o ministério e vida dos presbíteros, que se move sobretudo sobre a dimensão da formação permanente do clero, qual ponto focal para o problema da formação.
Para além da passagem lógica da atenção sobre a identidade sacerdotal para o problema da formação, tiveram grande peso as motivações de carácter cultural e histórico, ligadas sobretudo ao emergir da necessidade da formação permanente em todos os campos da vida humana. Esta apresentava-se, como hoje, como um remédio eficaz para contrastar a violenta aceleração dos tempos desenvolvida a partir dos anos 60, que vem ameaçar a qualidade de vida de quem se sente ancorado à formação inicial, entendida  ainda e somente como o conjunto de valores e requisitos capazes de equipar o vocacionado para o resto da sua existência até à morte.

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