Protesto de muitos, resposta de poucos

Neste 21º Domingo do Tempo Comum deparamo-nos com o auge de todo aquele acontecimento-discurso que começou com o milagre da multiplicação dos pães, processo relatado pelo evangelista S. João em todo o capítulo 6. O extracto deste domingo (versículos 60-69) refere-se ao debate que deixa o confronto teórico para descer ao confronto da relação humana: «Isto escandaliza-vos?… Também vós quereis ir embora?» A multidão considera a proposta de Jesus (comer a sua carne e beber o seu sangue) muito dura. A minoria reconsidera e auto-propõe-se a uma aceitação de uma nova relação com Jesus.

Não só em relação à fé, mas também a muitos valores da vida humana, a tendência que pesa mais é sempre a da multidão que protesta aquilo que dá mais bem-estar e comodidade. Que líder terá esta multidão? Estará incontrolada? Ao contrário desta, há sempre uma minoria de pessoas inconformistas que acreditam em valores que não são deste mundo, mas que são inspirados desde o sobrenatural. Esta tendência acontece em muitas frentes: a vivência de um credo, os Sacramentos, a Palavra de Deus e as exigências que dela derivam, a Vocação como caminho de entrega e felicidade , a Caridade na Verdade, etc.

O que está na causa não é só a lei-do-menor-esforço! É um problema de “cataratas” que não se resolve com o bisturi do oftalmologista. é um problema de visão, sim, mas daquela que liga directamente ao coração, sem passar pela inteligência iluminada pela Sabedoria de Deus. É um problema da relação entre a visão, reflexão e decisão. é um problema que toca as mais fundamentais faculdades da pessoa. Quem nos dá o testemunho são os verdadeiros discípulos de quem Simão Pedro é porta-voz:

«A quem iremos?…» – Será sempre uma forma saudável de abrir o coração às propostas de Jesus, mesmo àquelas que não estão escritas em nenhum livro, mas que estão implícitas no Evangelho, circunstâncias de cada homem e de cada mulher em cada tempo e em cada lugar.

«A quem iremos?…» – Será a resposta de quem quer permanecer em Jesus, apesar da dúvida permanecer, alimentada pela tendência da multidão; será contracorrente de felicidade.

«A quem iremos?…» – Será inquietação de quem aceita a proposta de novos caminhos, quando parece que os percorridos já estão esgotados; inquietação de quem não aceita respostas mesquinhas, mas vai à procura de significados profundos.

«A quem iremos?…» – é resposta de poucos a Quem tudo pode. Vai pelo testemunho desses!

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