Publicado em Formação Sacerdotal

«O Sacerdócio é o amor do Coração de Jesus»

Esta afirmação do Santo Cura d’Ars permite-nos, no dizer do Papa Bento XVI, «evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade». Se Jesus nos veio proporcionar o encontro com Deus, ser a Porta, então o sacerdote é “porta” visível para Cristo. Neste sentido, o Ano Sacerdotal promulgado pelo Papa Bento XVI, apoiado no exemplo magnífico do Padre João Maria Vianney, veio ser uma manifestação de apreço e afecto pela pessoa dos sacerdotes, porque «o padre não o é para si mesmo, mas é-o para vós» (Cura D’Ars). Se do lado aberto do Senhor jorra a vida eterna para todos, o sacerdote estende o cálice da sua humanidade para que desse sangue nada se perca.

Depois do Vaticano II, a chamada “hora dos leigos” que certamente ainda não foi verdadeiramente assumida, veio também, porventura, obscurecer a importância do sacerdócio. Digo-o sem dúvidas! Não para diminuir os leigos, mas a favor deles, consciente que não haverá “hora dos leigos” se não houver a “hora dos presbíteros”. Porque os sacerdotes precisam de estar na “hora” dos leigos, ou seja, eles não querem ficar sozinhos nela. Assim, sem vocações e uma verdadeira formação para o sacerdócio não existirá essa “hora”. E não se trata na “hora” de fazer coisas ou de substituir ninguém. Já está claro teoricamente, embora não assumido na prática, que cada um tem um lugar nobre na Família de Deus. No entanto, a “hora” dos presbíteros é urgente, precisamente para que eles saibam ser aqueles líderes que, à maneira de Moisés, Josué, Simão Pedro e à semelhança de Jesus, saibam acompanhar o povo da Nova Aliança no caminho para o Reino definitivo. Ao mesmo tempo, seja a hora para que os leigos percebam o que podem pedir aos sacerdotes e também o que não podem pedir aos mesmos, para que saibam acolher a sua “hora”.

Partamos novamente do início: da hora de adoração diante d’Aquele que tudo pode, do Sumo Sacerdote que sabe bem a ordem das coisas. Peçamos ao Senhor da messe que nos envie muitos operários para a sua messe e, nos intervalos que nos sobram, provoquemos os adolescentes e jovens rapazes, e as famílias para que colaborem com Ele, acolhendo o dom fecundo da vocação com que porventura os quiser presentear.

Hoje é a hora de uma formação cada vez mais cuidada. Não serão precisos tantos padres quantos os que o forem com boa vontade e boa formação, para além da santidade. Costuma-se dizer que o Santo Cura d’Ars não teria chegado a padre se fosse pela avaliação da sua inteligência. Mas a formação sacerdotal não é somente isso! É mais do que isso. E a vida do Santo prova-nos que ele teve docilidade suficiente para se deixar formar antes e depois do sacerdócio, pelos seus formadores e pelo Espírito de Deus.

Inauguro mais este Blog para que tanto os leigos como os presbíteros, juntamente, possamos reflectir sobre o que é a formação para e no sacerdócio. A formação sacerdotal, assim como a laical, não é uma coisa só de uns ou de outros. É coisa de Igreja. Por isso, reflictamos em conjunto, para que saibamos corresponsavelmente semear, acolher e formar os dons do sacerdócio que o Senhor da Messe quiser oferecer à nossa Igreja Diocesana. Que esta não seja mais uma “empresa” de portas fechadas que parece ter entrado em crise de dentro para fora. A crise também se poderá chamar de fora para dentro. Todos a rezar. Todos a formar: do Seminário em Família até à Formação Permanente do Clero, onde todos poderão proporcionar alento e oportunidade, para que esta Igreja tenha bons e santos sacerdotes, à maneira de Jesus Cristo, de Quem o Padre João Maria Vianney foi seguidor exímio.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu