Complicado processo de descomplicação

A educação humana é, porventura, um processo de crescimento que parte do simples para o complicado. A criança é simples à partida. No entanto, para que ela seja capaz de viver neste mundo, tem de aprender umas tantas coisas: umas irão ser úteis e outras não. Quando o jovem começa a tomar as rédeas da sua própria vida, agindo de forma pró-activa sobre ela e não já somente de forma reactiva, como vítima, então será capaz de desenvolver o complicado processo de descomplicação. É a fase de ir ao arsenal de informação que lhe debitaram e perceber o que lhe é necessário reter para o resto da vida, ao mesmo tempo em que poupa energia e espaço na memória e nas emoções para o tempo que lhe é dado viver com proveito.

Empreender este complicado processo de descomplicação exige que cada um e, à escala social, cada comunidade de pessoas tenham a coragem de partir da sua própria história e de nela inverter o processo de indutivo em para dedutivo. Na educação, o processo de crescimento implicou mais a indução sob a forma de persuasão, a partir da sugestão dos pedagogos. Quando a criança começa a usar a sua capacidade de raciocínio formal, adquirindo o seu auge com a juventude, então começará a apropriar-se da sua realidade através da dedução, partindo do universal que lhe foi “instalado” pedagogicamente para o seu particular, fazendo convergir tudo ao proveito da sua vocação.

Para isso, é bom pôr-se muitas perguntas para se encontrarem as respostas que já foram inscritas na nossa educação e, em respeito pela liberdade de cada um e contra o determinismo, descobrir o modo como responder a essas perguntas pessoais.