Publicado em Integração Psico-Espiritual

A comunicação cristã IV – Relações superficiais e profundas

À volta do 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais, surge o tema «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade» protagonizado pelo Santo Padre. O tema e também a tendência actual de os mais novos “viverem” mergulhados nos novos meios de comunicação são inquietantes e provocadores. Por isso merecem uma refleção integradora que implica, mais do que sublinhar os aspectos negativos, observarmos e aproveitarmos as imensas possibilidades que esses nos oferecem.

Primeiro, há que clarificarmos alguns conceitos. O primeiro é o de comunicação: através deste entendemos a ideia de participação. Esta poderá ser racional ou não, mas partimos do pressuposto de que inclui o elemento afectivo, senão não há participação. Ou se está presente ou não.
O segundo conceito é o de informação. Nesta, está presente o intercâmbio de conhecimentos racionais. toda a informação é comunicação, mas nem toda a comunicação é informativa (posso estar a participar numa conferência sem estar a perceber nada do que estão a dizer e, no entanto, estou a participar num evento comunicativo). A informação, para ser tal, deve ser compreensível e deve ser coerente com a verdade. A comunicação poderá não o ser.

Ora, partindo da clarificação possível sobre estes conceitos, podemos sugerir que os  mais novos já “habitam” o novo «continente digital» e participam na comunicação que nele se desenvolve. No entanto, podemos perguntar: será que procuram ou lhes é dada a verdadeira informação? Hoje, é urgente um aproveitamento positivo das novas tecnologias, para que a comunicação se possa tornar informação e formação. Para tal, também os mais velhos, sobretudo os que têm a missão nobre de educar, ensinar e informar, devem habitar nesse novo «continente digital» sem ter medo de deixar o “velho”. Talvez este seja um dos efeitos da Nova Aliança: o não estarmos presos a um continente material, seja ele qual for, viajando de continente em continente até à Pátria definitiva.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu