A comunicação cristã III – Os perigos da comunicação

O desejo de educar os outros ao bem pode transformar-se, por excesso de zelo, na pretensão de ensinar o “nosso” bem. Na interacção com os outros estamos sempre preocupados em impor o nosso ponto de vista, de projectar as nossas certezas e os nossos esquemas mentais. Fazendo assim, pensamos ter cumprido o nosso dever, mas não nos damos conta que demos respostas a perguntas que não foram feitas. Poderão ter sido respostas exactas e verdadeiras, mas não esperadas nem pedidas e, por isso, não interessantes.

Assim, poderão ocorrer tendencialmente os seguintes perigos ou erros na comunicação educacional e fora dela:
1. Diagnosticar: «acredita que está a acontecer com eu te digo: tu agora estás confuso»;
2. Moralizar: «não está bem como dizes, escuta-me…»;
3. Generalizar: «estas coisas acontecem a tantas pessoas, não és o único»;
4. Dogmatizar: «a vida é um contínuo alto e baixo»;
5. Interpretar: «para ti a vida não tem sentido porque não encontraste alegria»;
6. Reduzir a si: «também a mim aconteceu a mesma coisa».

Estas intervenções são inadequadas porque produzem um bloqueio na comunicação e, consequentemente, negam ao outro a oportunidade de tomar consciência e de poder sair das próprias dúvidas e dificuldades, pois é provável que a solução para os mesmos esteja dentro de si. Por isso, há que fazer mais perguntas e dar respostas a perguntas que foram feitas pelo interlocutor.

Modelo perfeito de comunicador é Jesus (conferir Ev. de João, Cap. 3) que sabe escutar, não diagnostica, não moraliza, não generaliza, não dogmatiza, não interpreta e não reduz a si, mas confirma qualquer realidade humana. As personagens que se abeiram d’Ele são frágeis, indecisas, inseguras, mas a cada um Ele propõe sempre o mesmo modelo de relação feita de escuta e acolhimento, de forma a pôr o outro em condições de desenvovler a própria autoconsciêncialização, abrindo-se à possibilidade de mudança.