A comunicação cristã I – A escuta activa

Em todo o universo da comunicação podemos observar dois tipos de comunicação: o dedutivo e o afectivo. O primeiro está mais atento ao conteúdo que se tem de transmitir que ao criar um contexto relacional que favoreça uma recepção frutuosa daquele conteúdo. Deste modo, o mais provável é que se desenvolva um bloqueio no interlocutor, já que não houve a preocupação prévia em interligar com ele. Diverso deste tipo é o segundo, o tipo afectivo, que se desenvolve num contexto de reciprocidade. Mais do que o pretexto intelectual, o que importa é ir de encontro a alguma necessidade já existente dentro do interlocutor. Ao ser escutada, a mensagem poderá então florescer no interesse deste, de forma que ele se sinta como que em casa.
É sobretudo nos diálogos do Evangelho segundo S. João que nos é apresentado um contributo psicológico-relacional para compreendermos a comunicação de Jesus, mesmo quando essa se torna difícil pela resistência oferecida pelos seus interlocutores. Não é que Jesus Cristo tivesse à sua disposição as actuais grelhas de análise psicológica, mas que era capaz de intuir facilmente os dinamismos interiores da alma humana. É neste sentido e no seu agir que Ele nos vai ensinar a comunicar.

1. Jesus, mesmo quando reprova, envia as suas mensagens sempre no respeito e na escuta da individualidade do interlocutor, considerando a sua história, as suas características psicológicas, culturais, sociais e religiosas, não impondo, mas esperando uma livre adesão, tendo em conta as possibilidades do outro.
2. Jesus começa por acolher com as suas disposições de afecto, transformando as resistências do seu interlocutor, activando um verdadeiro diálogo.
3. Jesus põe em prática uma escuta activa que não é um simples sentir aquilo que o outro diz (o que prova a empatia não ser só sentimento!). Com essa escuta, Jesus colhe todos os aspectos da pessoa do outro, mesmo os que não são explícitos, levando-o a descobrir as próprias possibilidades e energias.

Um exemplo típico desta comunicação acontece entre Jesus e Nicodemos. O(a) meu(minha) caro(a) leitor(a) poderá encontrá-la no Cap. 3 do Evangelho segundo S. João.