Honestidade

No Evangelho segundo S. João, o cego de nascença é a pessoa que mais claramente reconhece Jesus por aquilo que Ele é. O cego é conduzido à plenitude da fé por uma simples virtude: nega-se a mentir. Vai ao encontro de Deus simplesmente através da própria honestidade. Esta é uma espécie de misticismo rudimentar que suscita a fé. Todos os programas terapêuticos criados para superar qualquer forma de dependência têm provado que a sinceridade é necessária para uma vida espiritual sã.

Serás frágil tanto quanto a tua fragilidade mais secreta e permanecerás frágil até quando a tua fragilidade permanecer secreta. Esta é uma afirmação que convida a pessoa que quer crescer em maturidade diante das fragilidades a capacidade para as verbalizar. Esta é a porta da disponibilidade para se deixar ajudar, quanto possível, no assumir e tomar uma decisão livre e responsável diante das tendências naturais que contrariam os valores ideais professados pela pessoa em crescimento.

Este crescimento consiste naquela luta entre “auto-transcendência” e “auto-gratificação” que se exprime sobretudo nas seguintes três áreas: afectos, apego aos bens e afirmação de si. «Alguém que queira tirar proveito da vida espiritual deverá escolher, quanto possível, em sentido contrário ao amor próprio, ao querer próprio e ao próprio interesse» (INÁCIO DE LOYOLA, Exercícios Espirituais, 188).