Publicado em Integração Psico-Espiritual

Desejar sim, ter medo não!

Deus não criou o homem para que este tivesse medo d’Ele. Comprovam-no as profecias de Jeremias e as palavras e os gestos de Jesus. A antiga lei foi escrita na mente humana para que homem nunca esquecesse essa lei e a levasse intacta à prática. A nova lei prometida por Deus é a lei que Ele quis escrever no coração de cada homem, de forma que não é ninguém de fora – nenhum homem, cultura ou civilização – a impô-la, mas o próprio Deus a inscrevê-la.

Essa lei, “impressa no íntimo e gravada no coração” de cada homem (cf. Jer 31,33), é constituída como que por sementes que estão à espera de acordar para o “frio da água” e o “calor do sol” que as fazem crescer. Passe a metáfora: o frio da água é o elemento incomodativo, aquele incómodo que faz morrer a semente, num primeiro momento; mas depois vem o calor do sol que seca, aquece e faz germinar a semente.

É a falha daquele calor que também a nós, seres humanos, nos faz desejar o calor do sol, o bem estar do nosso desenvolvimento motivado pela busca dos valores mais elevados. Se desejamos esses valores do alto que nos atraiem, então o nosso coração expande-se para fora, para Deus e para os outros. Se temos medo de “morrer”, então isolamo-nos e morreremos, de facto, sozinhos.

Essas sementes da nova lei semeadas por Deus no nosso íntimo (interior, alma, psíque) e gravados no nosso coração (motivação, decisão, paixão), poderão ser como aqueles programas que às vezes vêm com os computadores acabados de comprar: estão lá dentro, mas a necessitar de serem instalados pela primeira vez. Por vezes, acontece também com cada um de nós: é uma pessoa que nos falou, ou uma circunstância… a trazer um input novo que “instala” uma nova forma de ver as coisas e as pessoas, motivando-nos também a agir de forma diferente.

“Perder a vida” significará também desejar essa vida nova que nos foi dada.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu