Publicado em Integração Psico-Espiritual

Ser imitadores… (1Cor 10,33)

É interessante o método que o Apóstolo Paulo nos sugere para seguirmos os ensinamentos das palavras e dos gestos de Jesus. Vivemos, no entanto, numa época que enaltece a individualidade e esta não admite que “façamos como os outros”. Todos parecem querer “registar a patente”, repetindo a característica adolescente da afirmação pessoal. A psicologia compreende esta atitude, sobretudo porque se trata de recuperar (conservar) o passado individual para o perpetuar na história que teima em se apagar, ao mesmo tempo em que se organiza o presente e se imagina o futuro.

Extraordinária característica da Boa Nova cristã é a capacidade de provocação das motivações humanas profundas, levando-as a reconhecer que estão implicadas misteriosamente nas sendas dos relacionamentos humanos.

Não faz mal sermos imitadores! Não perdemos a nossa identidade individual. Pelo contrário: a identidade verdadeira de cada um está algures na verdade do Outro. Por isso, imitar significa “fazer como” (variante da tradução de 1Cor 10,33). Não se trata de “copiar” meramente o que os outros fazem… poderia ser um mimetismo perigoso. Será, antes, fazer as mesmas acções de bem que os outros fazem, pensar o que os outros pensam, ter os mesmos sentimentos… (cf. Fl 2,5). Trata-se de repetir o conteúdo, ainda que com forma (“continente”) diferente.

A imitação é a chave do método do discipulado. Ao imitar Paulo, os discípulos estão a imitar Cristo. É uma “cadeia humana” a desenvolver.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu