Conviver com as tensões

Já todos ouvimos falar certamente daquele espaço virtual chamado Second life, na Internet. É um sítio onde se podemos passar, sem darmos por isso, muitas horas e também encontrar uma vida alternativa: nova identidade, um físico à escolha, amigos de sonho, desejos que não têm limites, onse se “voa” até ao continente preferido… É uma vida alternativa ideal, mas rotineira e deprimente. É de morrer. Na verdade, não prevê tensões. E se aparece alguma, basta um clic no computador e ela desaparece.

As sãs tensões pertencem à vida real e autêntica. Elas existem entre duas forças, pelo menos. E são saudáveis porquetornam possível um autêntico desenvolvimento da maturidade. As tensões não são invetitáveis, ams são estímulo de vida: sem elas não existe “corrente”, nada se move. Se, porém, são excessivas, criam explosões e rupturas e provocam a “miragem” da Second life.

Até a vida cristã não livra de viver as tensões. Ajuda a afrontá-las sob uma luz diversa, mas elas permanecem: a grandeza de Deus e a pequenez humana, os entusiasmos de início e o quotidiano do seguimento, as expectativas e a realização concreta, a comunidade que gostaria de ter e aquela real…

O interessante – e este é um conteúdo e método muito útil para a meditação e exame de consciência, quando faltam ideias – é encontrar o significado de cada tensão vivida no dia-a-dia. Dela brota uma força propulsora do desenvolvimento vital e espiritual. Ajuda-nos a viver uma espiritualidade incarnada, como dizia W. Kraft diante de uma dos problemas humanos mais frequentes em certas fases problemáticas da vida: «O cristianismo é uma religião incarnada e propõe um caminho para Deus também incarnado. No entanto, nós minimizamos a incarnação da espiritualidade. Esta falta de uma vida cristã integral pode causar muitos problemas, um dos quais é a tendência à masturbação. Se a vida espiritual fosse mais incarnada, haveria menor necessidade de recorrer à masturbação. Uma espiritualidade desincarnada produz frustração e tensão, que são as causas comuns da masturbação».

A busca da Second life poderá ser uma de tantas “masturbações” que nos afastam da vida real, aquela única via de crescimento humano em maturidade.