Publicado em Integração Psico-Espiritual

As dificuldades e o sentido da vida

Há adversidades diante das quais nos sentimos impotentes. Certamente já nos deparámos todos diante de circunstâncias ou até mesmo pessoas diante das quais ou nas quais não conseguimos intervir para mudar seja o que for. Sim, somos limitados a esse ponto. E surgem, por vezes, vozes entusiastas a dizer: tu podes tudo! Não desistas… Concordo com este entusiasmo. O problema é estarmos a lutar na direcção errada, utilizando a “alavanca” errada. O entusiasmo cederá e dará lugar ao desespero. É desta tensão que vêm as sequências de consolação e desolação, ânimo e desânimo, tão frequentes na nossa vida.

Pergunta: – Nessas situações em que dou conta que nada posso mudar, porque não mudo eu? É uma pergunta razoável! Pelo menos temos de pôr a hipótese. Devêmo-la ao imperativo de sermos livres.

Uma dos mais interessantes reflexos da logoterapia frankliana (Viktor Frankl) é o de que o sujeito, esteja em que condições estiver, será sempre o responsável por tomar decisões em relação ao seu destino vital, em referimento aos valores que ele pode realizar nesse concreto destino.

Cada problema que se apresente diante de cada homem pode ser lido como uma tarefa a realizar, desde que se trate de um verdadeiro problema, claro! Tudo o que o homem deve fazer estará sempre ligado ao “aqui” e “agora”, no concreto de determinada situação boa ou menos boa. Tudo o que o homem vive e experimenta apresenta-se sempre como mediação de algo que está entro o finito e o infinito. Daí a importância de se empenhar de forma constante e educativamente válida, de forma a fazer resplandecer não só a sua liberdade interior, mas sobretudo a responsabilidade de responder às perguntas (desafios) que lhe vêm do mundo, da sociedade, da cultura, da religião. Estas são as condições pra que o mundo e cada vida possam manifestar a beleza e a respectiva iniliminável carga de sentido e de esperança.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu