Publicado em Integração Psico-Espiritual

Respeito e afectividade

É, pois, a aproximação apreciadora do outro ou das coisas que podemos chamar de respeito. Mas bastará este como mediação entre o senso comum e a reflexão filosófica para nos abeirarmos do mistério do homem? Certamente que não!

O respeito, como condição e lei antropológica de reconhecimento e aproximação ao valor ético e religioso do mistério da pessoa, pode permanecer sempre uma responsabilidade, uma tarefa, um dever. No entanto, correremos o risco ficarmos numa atitude abstracta diante da pessoa, distantes, sem conseguirmos chegar à pessoa concreta. É assim que chegamos a instalar a routine que tantas vezes nos assalta com o vazio, causa do frequente determinismo com que medimos os nossos actos e relações.

No mistério da vida humana há mais do que isso: do que método, hábitos. E somente com o contributo da afectividade, das emoções e dos sentimentos é que podemos dar um passo que vai mais além no conhecimento e convívio com esse mistério antropológico. É, a este respeito, já muito conhecida a expressão de Pascal: «Conhecemos a verdade não só através da razão, mas também através do coração».

É esta uma dimensão que hoje em dia a Psicologia está a incorporar para nos ajudar a “recuperar” o mistério do homem, dando importância a tudo o que for pré-reflexivo. Quer dizer: ao mesmo tempo em que falamos e reflectimos sobre tudo o que toca à vida humana, podemos dar importância às mensagens que nos são dadas por outra linguagem que não a reflexiva: linguagem corporal, emocional, sentimental…

A área afectiva apresenta-se como uma mediação indispensável e nova em relação à área cognitiva. É verdade que uma antropologia das emoções sem um contexto em que se usa a reflexão permaneceria cega. Por outro lado,  as emoções não são simplesmente a parte animal do homem. São humanas e devem ser compreendidas como sendo da pessoa na sua totalidade, como mistério.

Assim, quando pensarmos no respeito, pensemos também, para além da reciprocidade que se sublinhava no último post, na carga afectiva que medeia a relação das pessoas. Terminemos com a altivez que destrói esta “porta” necessária à recuperação do mistério, frequentemente  fechada com expressões do tipo “cresce e aparece”, etc… Quanto mais me relaciono com os mais novos, mesmo não sendo esta relação totalmente desprovida de ansiedade, mais aprendo e cresço com eles!… sobretudo no plano da afectividade… porque são “peritos” na área pré-reflexiva do relacionamento!! ;{)

Autor:

Padre da Diocese de Viseu