Jogo e desenvolvimento humano

A importância da relação entre o jogo e o desenvolvimento humano sublinha-se não só em referência a uma criança que está a crescer, mas também a qualquer tipo de psicoterapia ou acompanhamento no crescimento. O movimento de transcendência por porte de um sujeito em relação à realidade actual com que ele é chamado a confrontar-se, por vezes, encontra-se bloqueado. Sintomas?
Uma pessoa pode encontrar-se tragicamente séria que não ousa nem sabe mais “jogar”, ou seja, explorar livremente alguams áreas do seu mundo interior e exterior. O medo e a ânsia, que impedem e tornam difícil este “livre jogo”, parecem impedir ou tornar difícil o desenvolvimento, a transcendência, a procura da sabedoria.
A intervenção pedagógica ou a educação pode redescobrir a dimensão de “jogo” como modo de relançar o desenvolvimento, mas também como caminho para a transcendência e o aprofundamento do mistério humano. Se estas considerações sobre o jogo valem para intervensões terapêuticas em situações humanas de distúrbio ou crises psicológicas, vale também para dar frescura à vida humana e cristã, espiritual. Num tempo tão marcado pelo frenesim do fazer, é necessário encontrar momentos de paragem para programar ou, neste sentido, “jogar” a nossa existência de crescimento em liberdade.
De que “jogo” se trata? Como “jogar”? Trata-se da vida arriscada em relacionamentos, em oportunidades, em paragens. É o jogo do dar-se, do arriscar ou, também, por vezes, do parar… no palco da existência às vezes um pouco comandada pelo acaso, ou pelo que as forças externas nos impõem, mais do que a liberdade interior como resposta a um desígnio do Transcendente. Este “jogo”, por vezes, poderá implicar virar a vida ao contrário!
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