Rir / Sorrir

Só o homem é um animal que ri. O sorriso humano que aparece no rosto de uma criança nos primeiros meses de vida e que é alegremente festejado pelos pais, não é só um sinal de desenvolvimento, mas também sinal de um ser humano.
O riso do homem exprime a sua dignidade e a sua característicá única de ser capaz de viver ao mesmo tempo no mundo da realidade e no mundo da aparência. O riso aparece na relação entre o aparecer/parecer e o ser, definindo-se como incongruência entre os dois, a suscitar e sustentar o riso.
Através do o riso e o humorismo, podemos dizer a nós mesmos que não cremos plenamente naquela imagem ou personagem que fabricamos de nós mesmos e podemos implicitamente afirmar que essa imagem ou personagem não são completamente verdadeiros; existe qualquer coisa de diverso, que procura esconder-se, que não se quer ou não se pode manifestar ou, talvez, um vazio que tem de se cobrir.
Entre o ser e o aparecer existe uma relação de tensão, de possível harmonia, sim, mas também, mais frequentemente, de incongruência, desarmonia, dissonância. Por isso, o riso e o ridículo podem ser, também, “lugares” da manifestação do mistério da pessoa: uma pessoa que frequentemente não se possui, que não é verdadeiramente aquilo que aparece, que não se compreende, exposta na sua vulnerabilidade.
Mas no riso, no sorriso, no humor, pode-se eventualmente descobrir uma verdade mais profunda sobre si mesmo e sobre os outros. O humor é, pois, um dos mecanismos de defesa maduros e adaptativos.
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