Publicado em Integração Psico-Espiritual

Nascimento e Martírio

O martírio de Santo Estêvão celebra-se logo após o Natal (nascimento) do Senhor. Porque será que o martírio está associado ao nascimento das grandes figuras? Na liturgia só s celebra o nascimento de Cristo, Maria e João Baptista. Bem, na verdade, o nascimento deles está já marcado pelo martírio. Jesus, o Verbo feito carne, auto-humilhou-se ao assumir a nossa condição humana, para nossa redenção.
com este assumir a nossa condição, Jesus aproveita a circunstâncias humanas para as pôr a favor da própria humanidade. Desde Jesus que, quer as forças, quer as fraquezes, servem para salvar o homem. Vejamos em Santo Estêvão: apredejado, ele não atira novamente as pedras, mas faz delas ofertório, como Cristo: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.
Com Santo Estêvão, o que produz o martírio – o apedrejamento dos boatos, raiva, murmúrios, tristeza, violência… – acaba ali. É ofertório para que não seja martírio sem frutos. Assim o martírio torna-se semente… de cristãos, quer dizer, de vida cristã: uma vida apoiada num novo estilo onde já não é a lei externa, mas uma lei interior que governa: o Amor de Deus.
E tu: nasceste para quê? como sentes que hoje estás a viver o martírio (testemunho)? Se estás por Cristo, és mártir. Se estás pelo mundo, viverás comodamente. Se pomos toda a fé no sangue que corre nas veias (filiação humana) morreremos; se pomos a fé no sangue que é derramado (filiação divina), então seremos salvos.
O novo estilo que a mensagem cristã nos propõe é de uma fraternidade sem limites, onde cabem todos: pai, mãe, filhos, filhas, irmãos, amigos, inimigos… família sem fronteiras. O sangue derramado de Cristo para todos nós quebram todas as barreiras familiares, para nos fazer pertencer à família definitiva, que tem, humanamente falando, um Filho.
Queres ser seu irmão!?

Autor:

Padre da Diocese de Viseu