Recomeçar para um fim

É muito interessante que o ano líturgico começa antes do fim do ano civil. é também muito interessante que um dos mecanismos de defesa mais presente no homem seja o da antecipação, ou seja, a capacidade natural para antever as coisas que poderão acentecer. E nesta capacidade natural está, muitas vezes, mais presente o polo negativo do que o positivo.
A dinâmica do Advento, como antecipação do “fim” vem, então, purificar o polo negativo com a esperança, capaz de nos orientar melhor para o polo negativo. Traduzindo melhor estes termos, podemos ver no polo positivo o ideal ao qual cada um de nós tende por inspiração divina e o polo negativo aquela herança pessoal de tendências e limitações, assossiadas também às circunstâncias adversas da vida. Iluminadas pela esperança, estas adversidades poderão ser lidas como “combustível” ou “energia” propulsora para aquele ideal a que somos chamados.
Olhos sempre postos no fim: o horizonte diante do qual somos chamados a superar-nos, lá, onde se encontra a verdadeira imagem de cada um.