Na viragem da moeda: a Imitação de Cristo

Hoje a liturgia do Domingo XXX do Tempo Comum fez-nos contemplar a “outra face” da moeda que é a vida humana e cristã. Essa outra face pertencia a César, parábola do compromisso para com as coisas temporais. A face deste domingo, imensamente maior, a outro nível, a face que pertence a Deus, corresponde a outro valor, não terreno: o Amor de Deus e ao próximo. Assim se completa, com o infinito, a globalidade do ser humano.
Jesus, ao declarar-nos que o primeiro e maior mandamento é “amar a Deus sobre todas as coisas” e “ao próximo como a ti mesmo”, põe-nos definitivamente diante do “espelho” que determina a medida do amor: cada um de nós sabe, pessoalmente, aquilo que precisa, aquilo que gostaria que os outros lhe fizessem. Este “gostaria” inclui tantos sentimentos e necessidades: atenção, aprovação, afecto – são valores que resumem todos os outros, aqueles mil e um desejos pessoais, uns verdadeiros, outros ilusórios ou de breve duração…
São Paulo, na carta que escreve aos Tessalonicenses (1,5ss), sublinha o valor da imitação do seu exemplo e do Senhor. Não está muito em voga, hoje, o método da imitação. Já lá vão os tempos e as pessoas que tiveram nas suas mesinhas de cabeceira a “Imitação de Cristo” de Tomás de Kempis. Nas exortações de Paulo, o método continua a ser actual! A psicologia poderá argumentar-nos o valor afectivo deste método se o contemplarmos na imitação dos caracteres particulares que as crianças e os adolescentes fazem daquele personagem preferido… Uma certa necessidade da afirmação da identidade pessoal do jovem e do adulto poderá diminuir a capacidade da imitação entendida na sua base afectiva. Na fase adulta poderá vigorar mais a imitação por razões intelectuais. Antes desta idade, são as razões afectivas que levam os mais pequenos a imitar.
Vale sempre a pena rfever o que não deveríamos ter perdido da infância! Afinal, o “espelho” que nos poderá ajudar melhor a viver o mandamento do amor na sua autencidade e a partir do desejo interior, antes da prática externa da caridade, será a criança que está dentro de cada um de nós. O desejo inocente dessa criança pode determinar o rumo certo da nossa caridade “sem fingimento”.