Poder, querer

Um dos conflitos mais frequentes com o qual o ser humano se confronta é o que acontece entre o poder e o querer. Muitas vezes o conflito vem da falta de correspondência entre a realidade interna ou externa do poder e da faculdade humana da vontade.
Por um lado, a vontade não é uma faculdade abstrata, pois como todas as outras faculdades, baseiam-se num impulso ou capacidade para um valor. Mas será preciso o campo de uma realidade interna ou externa para que essa faculdade se exercite, se ponha em campo para que o “jogo” se realize. Assim, do poder ou não poder depende o exercício das capacidades humanas, neste caso o da vontade.
A ordem dos factores também não é arbitrária, pois dela depende a correspondência dos mesmos:
Responder à pergunta “- Podes, queres?” leva o sujeito a exercitar primeiro a inteligência, para depois pôr em campo a vontade; responder ao inverso “- Queres, podes?” é dar importância à predisposição que um sujeito tem como carga necessária para se pôr no campo do poder ou do não poder. Activar a predisposição sem pôr a inteligência a analizar oa realidade do poder poderá resultar em frustração. Pesquisar possibilidades sem motivar a vontade que as execute é viver na abstração.
Por isso, as faculdades da alma devem estar unidas no “jogo” da realidade, activando todas as dimensões da pessoa para as integrar nas possibilidades e limitações. Só assim é que se poderá originar a competência motora da unidade de vida e da eficácia pessoal vocacional ou profissional.