Mais seguimento, menos função

Jesus nunca meteu em discussão a identidade vocacional dos Apóstolos, mas a partir dois seus novos desejos (“ser o maior”…) Ele respondeu sempre sublinhando a necessária transformação da sua fé (o desejo de ser o maior tem a sua resposta no fazer-se servo de todos; cf. Mc 9,35).

Um percurso vocacional pode influir positivamente no desenvolvimento da personalidade de um sujeito, intervindo de forma a modificar – em medida maior ou menor – a identidade psicológica do mesmo. Trata-se, pois, num percurso vocacional, de se transformar a relação que a pessoa tem com o significado do mesmo percurso.

A interrogação da própria fé é o elemento fundamental para se crescer na vocação. Se esta interrogação não se faz continuamente, corremos o risco de fazer prevalecer os nossos papéis ou funções como determinação fundamental da sequela de Cristo. É evidente que seguir Cristo implica uma missão que concretize a sua caridade; mas é necessário perceber que a Caridade de Cristo é a primeira a que o vocacionado tem também de abrir-se sem defesas e condições. É precisamente a Caridade de Cristo e não a caridade do sujeito o princípio e o horizonte da vocação.

O cristão é chamado a construir a própria experiência espiritual num progresso contínuo, que nasce da obediência à história que ele próprio “padece” (no sentido afectivo e não só físico), também como obediência oa próprio desenvolvimento. A fé nasce dentro de um diálogo ininterrupto entre a pessoa e a sua história, na qual Deus Se torjna presente à percepção do homem.
É por esta razão que, mesmo antes de se falar de uma possível crise vocacional (laical/matrimonial, sacerdotal ou religiosa), devemos pôr a hipótese de uma crise de fé. Não se pode desenhar ou redesenhar uma identidade vocacional sem passar pela fé.
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