Identidade psicológica e identidade vocacional

Por identidade vocacional entendemos o modo singolar através do qual a pessoa recebe – de Deus, na Igreja – e vive (conta) a própria história da salvação.
Por identidade psicológica podemos entender a “gramática humana” de que cada um dispõe para viver e contar tal história particular. Aquela gramática é constituída, em suma, pelas faculdades da alma: memória (sensibilidade “arquivada” pelas emoções), a inteligência (racionalidade) e a vontade (factor decisional).
Identidade psicológica e vocacional relacionam-se, mas não são a mesma coisa, pois que, mesmo que a forma de contar uma história varie segundo o desenvolvimento humano, essa história segue o seu rumo ou o seu sentido para o qual se vai, segundo aquela “gramática” encontrando novos significados.
É quase inevitável que as crises da identidade psicológica ponham em crise a identidade vocacional, mas não tem, por isso, de comprometer o seu sentido, mas ampliá-lo. O que entra em crise é a relação com a identidade vocacional e não necessariamente a própria identidade vocacional.
Para educadores na fé e acompanhadors vocacionais não é de menos importância a utilização desta “gramática”, para a qual não é directamente precisa formação superior em Psicologia, mas, na leitura dos sinais e macanismos da pessoa, se pode basear numa escuta que faculte à pessoa acompanhada a compreensão da própria história vocacional que se “impõe” na trama do dia-a-dia. Por outro lado, ainda que o desenvolvimento da pessoa, em termos psicológicos, nem sempre esteja dentro dos esquemas da “perfeição”, a identidade vocacional não deixa de estar proposta e à espera de uma resposta pela qual a pessoa se integra num projecto, mesmo que a pessoa não tenha ultrapassado optimamente todos os conflitos relativos aos estádios de crescimento.
A vocação também é um chamamento à superação de si próprio, à auto-transcendência…!
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